Caraca, maluco, Murphy (o da Lei de Murphy) não dorme. Aliás, Murphy vive sentado na minha corcunda! Primeiro dia de exploração da cidade e amanhece chovendo! Não só chovendo, mas aquela chuva gelada de doer as juntas dos dedos? Minha cunhada mais parecia um astronauta de tanto pano em cima .. Fomos tomar nosso café-da-manhã. Justiça seja feita, muito bom o café deles. Tem de tudo! Minha Sogra ficava: “Não é engraçado observar os hábitos alimentares das pessoas?” Figuraça, minha sogra. Ali tinha gente de tudo quanto é canto: austríacos, uma pá de alemães, americanos, turcos, espanhóis, italianos e só deus sabe o que mais. Cada um com suas manias. O engraçadíssimo aqui na Alemanha e lá na Áustria, é como as pessoas têm o hábito de comer verduras e legumes no café-da-manhã. Por exemplo, eles têm tiras de pimentão de tudo quanto é tipo e pepino disso e daquilo.... Pessoal coloca aquela montanha de queijo e depois uma montanha de pimentão no pão, assim, engraçado... Eles comem muitos cereais também, muita granola... Eu, no meu pãozinho com manteiga e meu café preto, coitado (às vezes uma Nutellinha)! Tão pobrinho! Meu Sogro comia três pratos pra adiar o almoço e evitar gastos. Depois dizem que escocês é que é mão-de-vaca!
Tá. Café tomado, vamos enfrentar o transporte público. Os ônibus passavam a cada 15 minutos na porta do hotel. Então, sem problemas. A direção tanto faz quanto tanto fez porque os ônibus são circulares e vão pro mesmo lugar: a estação do metrô. Incrível a sincronia do transporte público do mundo germânico. Não me admira que eles tenham tentado dominar o mundo! É de uma precisão tremenda, é indescritível. Saindo do ônibus até a plataforma do metrô, o tempo que você leva vai te deixar sempre 1 minuto antes do trem sair. SEMPRE! No primeiro dia, é claro, tínhamos que comprar nosso cartão semanal. Então cartão pra 6 pessoas levou um tempinho e não fomos no primeiro trem. Pra entender: o sistema de transpotes te dá muitas opçoes. Você pode comprar bilhetes de viagem para uma área só, mas também tem os bilhetes diários, pra três dias, uma semana, um mês. Aqui ,como na Áustria, os bilhetes são únicos e utilizados em TODOS os meios. Você pode pegar trêm, ônibus, metrô, bonde num bilhete só. Ninguém checa NADA! Não tem UM funcionário sequer em qualquer estação ou ponto checando se você comprou o bilhete ou não! Éramos 6 pessoas viajando a semana inteira sem nunca ter visto um fiscal. Quem tem cara-de-pau e sorte viaja de graça. Agora, se houver fiscalização e você não tiver o bilhete, é multa e ficha na polícia. Aí é feio, né. Pegamos o metrô e depois trocamos de metrô (Outra coisa pra se entender: as mil e uma linhas da rede metroviária.). Minha cunhada desistiu na segunda viagem. Disse que não estava bem e estava chovendo e talz. Resolveu que era melhor ficar no hotel sozinha, dormir mais um pouco e se recuperar. Nós seguimos até a plataforma MuseumsQuartier porque o que se faz num dia de chuva? Visita-se museu, né.
MuseumsQuartier! Ai, meu pai! Deixa eu só voltar e fazer uma observação: eu e minha Sogra passamos a tarde toda antes da viagem imprimindo os mapas e pontilhando os lugares que queríamos visitar. Depois comparávamos os mapas pra ver se alguns pontos coincidiam. Até alguns do Marido coincidiam! Então demos um volta pra ver como é o complexo de museus. Museu de tudo! Não entramos em nenhum, claro, porque meu olho já estava lá do outro lado da rua, nos prédios gêmeos do Museu de Belas Artes e Museu de História Natural. Eu querendo ir ao Kunsthistorischesmuseum e minha sogra ao Naturhistorischesmuseum. Hummmm... Quando ela foi ver, o de história natural não abria às terças e nós fomos todos pro outro mesmo. Que chato pra mim! >) Fila do cão na bilheteria, mas museu na Europa é assim mesmo. Ninguém vai ao Museu da Quinta da Boa Vista, ninguém vai ao Museu da Praça Quinze. Nego não vai nem ao Museu Imperial de Petrópolis! Mas chega aqui na Europa quer aparecer, quer ir pro Louvre, quer visitar a National Gallery de Londres... Sabem cacete nenhum do que tá lá dentro, mas querem dizer que foram. E aí dá nisso, saem reclamando e dizendo que não viram nada demais! “Ai, a Mona Lisa é tão pequena! Eu esperava mais!” Como se Leonardo da Vinci fosse pintar só porque é grande, como se só isso fosse importante. Vai pra Itú, cacete! Mas voltando... aqueles tipinhos: “Ai, eu sou tão universitário! Eu sou tão Sorbonne!” Mas tudo bem. Melhor do que ficar aí usando tóxicos (lê-se tóshikus) e depredando telefone público, né. O museu é imenso e leva um dia inteiro pra quem quiser ver tudo. Ainda estamos no lucro: o Louvre leva uma semana! Não vimos tudo, mas vimos bastante... e bastante rápido. Duas horas passaram, assim, voando, e no final já estávamos correndo pelas exposições! Meu cunhado, que não precisou pagar nada (Menores de 19 não pagam entrada em museu nenhum. Maldito!), andou uns 20 minutos pelos corredores e disse que já tinha acabado. Minha Sogra ficou decepcionada com os renascentistas porque os quadros eram muito violentos, muito cheios de dor e sofrimento. Deixa, ela não entende. O mais engraçado foi ouvir do Marido: “Ô, Mãe, arte não é pra ser bonita, não. Arte é expressão do pensamento, e está inserida num contexto histórico!” Hããããããããã?????? Quem falou isso ano passado fui eu!Nos encontramos lá fora para saber qual seria o próximo ponto. Já reclamavam de fome e então fui apresentada ao meu outro problema da semana: onde comer? Ai, Jesus, me salva do estresse de sair com outras pessoas e ninguém concordar com nada! “Essa comida é gordurosa, essa tem bactéria, essa tá velha, essa tá fria, essa tá quente demais, essa tem glúten, essa é cara, essa é de porco, essa é isso e essa é aquilo." PQP! Nos separamos e cada um foi comer no seu canto. Mas eu ainda tinha o Marido, a pessoa mais difícil do grupo. Achamos um Keller (Em alemão, uma espécie de restaurante de porão, mais semelhante à nossa pensão de “comida caseira”.) e pedi algo simples pra mim e complicado pra eles: frango! Marido pediu um Wiener Schnitzel, que nada mais é do que um bife à milanesa, mas de porco. Aí, a cada pedaço que ele cortava ele enfiava o garfo na minha cara e na cara do Irmão. “Isso tá cru! Isso não tá cru? Vê só!” Aí, eu e o cunhado nos olhávamos e respirávamos fundo, depois abaixávamos a nossa cabeça e continuávamos com a nossa comida.
Cheguando no hotel, sugeriram que visitássemos um restaurante pra comer algo de noite. Era ali mesmo dentro da área do hotel. Você andava por um trilha dentro do mato sem nenhuma luz, só no tato, até achar a luz no fim do túnel (No caso, o restaurante.). Mal pisamos lá, meu digníssimo Marido: “Já vi que é desses restaurantes provincianos, onde todo mundo já se conhece.” Gente, não me levem a mal. Eu amo meu Marido e tô até rindo, mas vai ser chato assim na pindamonhangaba! Ok, sentamos lá eu, Marido e cunhado, que não dispensa comida, e fui ver o menu. Dentre aquela cambada de coisa feita com carne de porco, achei um frango assado! Minha chance. “Mas comer o frango com o quê?” Por que fui perguntar? Tinha “fatias de pão” no cardápio e fui perguntar que tipo de pão era, né. Tô acostumada com pão francês, oras. Aí Marido perguntou pro garçom: “Qual é o pão que vocês têm?” O garçom não entendia o sotaque do Marido e nós não entendíamos o sotaque do garçom. Parecia filme. Quando, após muita mímica, conseguimos nos comunicar, o garçom: “Como assim qual é o pão? Pão pão, oras.” Marido: “Mas é pão normal?” Garçom: “O que é pão normal pra você?” Aí Marido já começou a ficar puto. E veio a vez da água: “Uma água sem gás, por favor!” Garçom: “Como assim água sem gás?” E o homem vinha com outro desaforo. E Marido começou a reclamar “Não volto mais aqui! Não vou comer cacete nenhum! Gente grossa, provinciana! Já não basta terem levado aquele homem lá pra Alemanha (O homem em questao é Hitler.)? Eu ainda tenho que ficar aturando grosseria?” Eu e cunhado comemos, calados, nosso meio frango que só não foi à seco porque tinha, sim, água sem gás. Na volta, todo mundo puto! E esse era só o primeiro dia!
4 comentários:
Oh my fuk*** God!
Cara, eu ri demais com a parte de em 20 minutos o Cunhado já ter visitado tudo! E outra... A do Hitler foi mítica! Tipo, épica!
Imagino o David falando e revirando os olhos bem do jeitao dele! hahahahahahahahhaha
Perfect!
Aventura pode ser encarada por muitos ângulos né???
Realmente, "Já não basta terem levado aquele homem lá pra Alemanha" foi demais!!! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
Murphy realmente não para nem para um pipi break...Só fica esperando a oportunidade para colocar as garrinhas de fora...
Eu, que adoro um museu, seja da Quinta, da Praça 15 ou o Louvre também fiquei impressionada com a quantidade de turistas - principalmente brasileiros - visitando museus em Londres e França...
Jú Gata
e ficava me perguntando pq os museus daqui estão sempre vazios. Inclusive, descobri que na Catedral de Petrópolis a gente pode conhecer por dentro e ir até a torre, lindíssimo (namorado e eu pagamos R$2,50 cada). Ai chega' nas Inglaterra' e a gente paga 12 libras para conhecer a torre da Saint Paul...Se joga!
Jú Gata
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