domingo, outubro 31, 2010

26.08.2010 - da Escola de Cavalaria ao Prater

O terceiro dia foi a prova de que, se não morri até agora, não morro mais! Tudo começou com a treino matinal dos cavalos Lipizzaner da Escola Superior de Montaria. Já tínhamos comprado os ingressos no dia anterior para o evento concorridíssimo. Dessa vez só iríamos eu, Marido e Cunhado. Depois de ver os cavalinhos tomando muita chibatada pra saltar direito e os alto-falantes berrando que era “proibido fotografar” em umas mil línguas diferentes e quase ninguém respeitar, (De repente, vai que só tinha gente que falasse Latim ou Aramaico, né.) encontramos o resto da família lá fora, às 12h. Eles já tinham passeado pela zona nobre, feito comprinhas frugais e comprado pizza (Nesse tempo em Viena não vi nenhuma pizza de calabreza. Eles usam é um salame muito do ruim.). Bem, o plano era pegar o Tram 1, já experimentado no dia anterior, para dar uma volta e ver alguns pontos importantes. Como a Cunhada ainda não estava totalmente recuperada, era nossa chance de evitar andar demais e matar a coitada.

Nossa primeira parada seria o Compexo Arquitetônico Hundertwasserhaus. O arquiteto e artista plástico F. Hundertwasser idealizou esses projetos e as cores e formas das obras são fantásticas. Ele pode ter lá uma história de vida muito mal contada mas suas obras impressionantes merecem o devido respeito. Tiramos fotos e, claro, compramos nossos souvenirs, né. Eu, ainda pobre que só, reduzindo meus souvenirs a tudo que era de papel e odiando minha existência por estar num lugar como Viena com tão pouco dinheiro! Depois de visitar a Hunderwasserhaus, o resto da família quis voltar pro hotel. Fomos com eles até a altura do Parlamento Austríaco. Lá, saltamos, eles seguiram para Ottakring e nós voltamos a pé para fotografar os prédios e talz e eliminar mais alguns pontinhos do meu mapa turístico. Tive a ligeira impressão de que Marido tentava me punir. É como se ele dissesse: “Ué, você não queria ver tudo? Agora vai ver tudo!” Já me fazia lembrar o dia em que minha mãe me fez ENGOLIR uma Banana Split inteira só por causa de uma pirracinha que fiz por um sorvete que era maior do que eu!

Fazer turismo envolve muita andança. Não só a peregrinação para chegar até os lugares, mas também tudo o que você anda dentro dos lugares, as escadarias, as entradas erradas e as voltas desnecessárias que você dá só porque não checou o mapa mais uma vez. Todos os caminhos levam a Roma? Em Viena, todos levam ao Hofburg. Não interessa por onde você anda, você vai parar sempre lá! Eu queria visitar a Casa das Borboletas, ali por trás do Hofburg. Depois de meia hora empurrando e acotovelando todo mundo em nome de uns ângulos decentes para fotografar as borboletas, eu já estava fedendo a uma mistura de percevejo com gambá. Tava quente como o inferno ali dentro daquela estufa e a humidade não ajudava nem um pouco. Antes que eu morresse cozida ou, pior, com o meu prórpio cheiro, resolvemos sair dali.

Ainda tínhamos a Casa da Música pra visitar. É um museu interativo, cheio de experimentos com som. Já cheguei ouvindo Clara Nunes e seu Canto das Três Raças (Pô, olha o nível da recepção. Já sabiam que eu estava a caminho!). Muito legal a sensação que dá quando você está fora e experimenta esses momentinhos da pátria. Quando se trata de algo de “qualidade”, mais orgulho e saudade ainda! Não sei bem qual é a dos austríacos, mas parece que eles têm um critério: só trabalha em museu, restaurante, loja, anda na rua e respira quem for... lindo! Nunca vi tanto homem bonito na minha vida! O melhor é disfarçar, não dar bandeira, olhar pro chão quando for comprar as entradas. Tudo pela paz matrimonial. Chegamos ao balcão da Haus der Musik e tinha um deus germânico lá pra nos atender. Aí, falei “Marido, vai você” antes que meu rubor me entregasse ou que o carinha percebesse meu perfume italiano Acqua della Fossa. Lá dentro, nós encontramos o Otto Nicolai, fundador da Filarmônica de Viena, outras figuras ilustres como Mozart, Beethoven, Haydn e Schubert, fizemos nossa própria valsa, regemos a Filarmônica virtualmente, tocamos na Orquestra Cerebral, escutamos muito atrás das paredes, viramos cobaia e tudo o mais. A cada andar que subíamos, eu deparava com outro deus germânico e esperava o Marido seguir junto para não cair em tentação e pular em cima dum e ser arrastada pra fora pela Polizei gritando Hilfe!.

Depois de comer num restaurante, onde fomos atendidos por outro deus germânico, voltamos para a área da Ópera de Viena pra tirar mais fotos. Minha idéia idiota: tirar fotos em dias diferentes pra ver como ficavam quando a luz variava. Se joga, mané! Me arrastaram pelas ruas em declive sem dó nem piedade. Passamos para comprar guloseimas nos cafés, seguimos por dentro da Escola de Belas Artes, avistamos o Goethe e o Schiller sentados por lá só com os pombos, coitados, chegamos ao MuseumsQuartier, onde os pátios estavam LOTADOS de gente... Depois dessa, minhas pernas já pareciam dois bambolês velhos e meu corpo estava no piloto automático, mas o Marido disse que se não forçássemos a barra, a gente nunca ia conseguir eliminar os pontinhos do meu mapa (Pra falar a verdade, quem estava quase fora do mapa era eu!). Quando ele resolveu pegar o metrô, eu quase chorei. Durante minha estadia em Viena eu já queria jogar cocô em qualquer um que pronunciasse a palavra metrô. Era escadaria, plataforma e gente bragarai! Dessa vez, ainda teríamos que trocar novamente de linha. Tá, tudo em nome do mapa! Vamos lá, vamos pro Prater, no Vale do Danúbio. Chegando na Estação do Prater, a sensação que eu tinha é de estar vindo da China via manto terrestre. Nunca vi tantas escadas rolantes, plataformas, elevadores no mundo. Deve ser a maior estação da galáxia. A gente subia, subia e subia, e nunca chegava! Quando, finalmente, alcançamos a estrada, já era necessário que eu me inclinasse pra frente propulsionando o peso do corpo pra ver se eu conseguia chegar ao outro lado da rua.

O Prater é uma área de entretenimento com parque de diversão, quiosques de comida, música, juventude e muita bagunça. É lá que fica uma das rodas gigantes mais famosas do mundo, na qual, claro, eu fiz questão de andar. Eu achei que meus anos com o Bondinho do Pão de Açúcar fossem me preparar para essa subida. Quando vi os vagoes de madeira um pouco envelhecidos e que o que nos separava da queda livre era um simples trinquinho, repensei minha experiência. No nosso vagão tinha um pessoal um tanto acima do peso que, para nossa sorte, resolveu ficar sentado no banco do meio e não saracoteou muito pelo caixote. Cada um que chegava perto da janela, o vagão entortava prum lado e eu repetia meu mantra “Se morrer, morro em Viena!”. Depois de sobreviver ao ocorrido, também já tava prontar para andar em qualquer daquelas bugigangas, mas minha companhia me deixou no vácuo. Voltamos para o hotel já por volta das 11h da noite e geral achando que havíamos nos perdido!

sexta-feira, outubro 29, 2010

25.08.2010 - Belvedere e Albertina

Bem, o segundo dia começou melhor. O sol saindo, o dia prometendo mudanças. Eu e Marido resolvemos ir depois do povo e nos encontraríamos no Belvedere, já que era a nossa chance de caminhar sem chuva. Fica um pouco afastado do centro, mas nada que o metrô não resolva. O Belvedere é um complexo em estilo barroco, construído a mando do Príncipe Eugen von Savoyen, e possui dois palácios (o Alto e o Baixo Belvedere), a orangerie (uma estrutura de jardim que teve suas origens no Renascimento Italiano e parece uma estufa gigante), um jardim alpino, a Galeria Imperial, muitas fontes e jardins que misturam os estilos de Versailles com a gradiente do terreno de jardim italiano. Nós andamos um bocado, tiramos fotos e não achamos ninguém da família. Tentamos ligar e só conseguimos falar com o cunhado, que estava com o pai lá em Stephansplatz, separados das outras duas. Aí, eu e Marido resolvemos pegar um bonde e ir pro centro.
Chegando em frente a Ópera de Viena, avistamos o ponto onde podíamos pegar o Tram 1, o bonde que dá a volta ao Ring, o quarteirão mais famoso de Viena. O legal do bonde é que você pode ver os lugares sem precisar andar que nem um condenado (Minto: no primeiro bonde tinha um anúncio enorme que pegava toda a lateral do nosso vagão!). Naquela altura a gente já tinha passado tantas vezes pelo mesmo lugar que já nem era mais possível se perder na cidade, mas ainda assim cansa demais. 
O bonde passa pelo Hofburg, o complexo residencial dos Habsburgo (Por onde já tínhamos passado no dia anterior quando minha Sogra quis checar a Biblioteca Nacional), pelo MuseumsQuartier, pelo Parlamento, pelo Burgtheater, pela Rathaus, pelo complexo Hundertwasser e dá pra se avistar o Prater. Bem, pelo menos a roda gigante! Daí ficamos dentro do bonde mesmo, voltamos pra Stephansplatz  e comemos, deus me salve!, no Nordsee, que está para peixe assim como o McDonald’s está para hambúrgueres. Depois, demos uma volta na Graben, aquelas ruas de pedestres cheias de lojas e performistas: tinha o carinha fazendo embaixadinha com as bolinhas, mímicos, músicos... Avistamos o pai e o irmão do Marido. Aí chegaram a mãe e a Irmã1, demos uma volta pela Catedral, a Stephansdom, e o pai do Marido sugeriu pegar um atalho que saiu no mesmo lugar e ainda tivemos que dar outra volta (Acho que é problema de família!). Eles resolveram voltar pro hotel porque a Irmã1 não queria abusar muito, eu e Marido fomos pro Albertina. Segundo nosso mapa, toca a passar pelo Hofburg de novo pra cortar caminho. Aí vimos os estábulos da Escola de Cavalaria e os cavalinhos estavam lá, tchu tchu tchu. Perto do Albertina, achei uma loja de brinquedos de madeira e foi lá que tirei a foto do Pinóquio. Nem ligo se ele tava de vestido! Muito fofo!
Deixô explicar: o Albertina tem esse nome por causa do Duque Albert Kasimir de Sachsen-Teschen, fundador da coleção que reúne 65.000 desenhos e mais de 1 milhão de trabalhos gráficos, desde o gótico até a arte moderna. Lá estão Dürer, da Vinci, Monet, Renoir, Van Gogh, Kandinsky, Klee... Eles têm exposições permanentes e temporárias (Agora em outubro tem Michelângelo, por exemplo, e eu não estarei lá, né.). Na volta, decidimos comer uma torta numa daquelas confeitarias cheias de frufru que eles têm, o Café Aida. Aí, a mulherzinha já deu uma resposta entre os dentes e Marido já quer encrencar. Vai ser pavio curto assim lá, eh! Na entrada do metrô, na Stephansplatz, estavam duas crianças, assim uns 11 anos, tocando violino pro público e era de fazer chorar! Marido disse que era exploração infantil. Afe! Noutro canto  tinha um grupo apresentando danças húngaras e num outro uma galera enormeeeee dançando break! Por todo canto você vê Mozarts, casais históricos... Dia bem bacana. Nível de estresse: só 10%.
Já no albergue, a gente ficava lá fora olhando a vista, vendo a cidade começar a acender suas luzes, sentadinhos nas nossas espreguiçadeiras... Mais à frente tinha um grupo bem jovem tentando andar na corda-bamba, outros jogavam vôlei, outros mini-golfe... Minha Sogra já se animou e foi buscar um vinho, que todos nós bebemos menos o Marido, que ainda ficou reclamando que eu não podia me misturar com “essa família” porque era nisso que dava: o vício do álcool.

quinta-feira, outubro 28, 2010

24.08.2010 - MuseumsQuartier e afins

Caraca, maluco, Murphy (o da Lei de Murphy) não dorme. Aliás, Murphy vive sentado na minha corcunda! Primeiro dia de  exploração da cidade e amanhece chovendo! Não só chovendo, mas aquela chuva gelada de doer as juntas  dos dedos? Minha cunhada mais parecia um astronauta de tanto pano em cima .. Fomos tomar nosso café-da-manhã. Justiça seja feita, muito bom o café deles. Tem de tudo! Minha Sogra ficava: “Não é engraçado observar os hábitos alimentares das pessoas?” Figuraça, minha sogra. Ali tinha gente de tudo quanto é canto: austríacos, uma pá de alemães, americanos, turcos, espanhóis, italianos e só deus sabe o que mais. Cada um com suas manias. O engraçadíssimo aqui na Alemanha  e lá na Áustria, é como as pessoas têm o hábito de comer verduras e legumes no café-da-manhã. Por exemplo, eles têm tiras de pimentão de tudo quanto é tipo e  pepino disso e daquilo.... Pessoal coloca aquela montanha de queijo e depois uma montanha de pimentão no pão, assim, engraçado... Eles comem muitos cereais também, muita granola... Eu, no meu pãozinho com  manteiga e meu café preto, coitado (às vezes uma Nutellinha)! Tão pobrinho! Meu Sogro comia três pratos pra adiar o almoço e evitar gastos. Depois dizem que escocês é que é mão-de-vaca!

Tá. Café tomado, vamos enfrentar o transporte público. Os ônibus passavam a cada 15 minutos na porta do hotel. Então, sem problemas. A direção tanto faz quanto tanto fez porque os ônibus são circulares e vão pro mesmo lugar: a estação do metrô. Incrível a sincronia do transporte público do mundo germânico. Não me admira que eles tenham tentado dominar o mundo! É de uma precisão tremenda, é indescritível. Saindo do ônibus até a plataforma do metrô, o tempo que você leva vai te deixar sempre 1 minuto antes do trem sair. SEMPRE! No primeiro dia, é claro, tínhamos que comprar nosso cartão semanal. Então cartão pra 6 pessoas levou um tempinho e não fomos no primeiro trem. Pra entender: o sistema de transpotes te dá muitas opçoes. Você pode comprar bilhetes de viagem para uma área só, mas também tem os bilhetes diários, pra três dias, uma semana, um mês. Aqui ,como na Áustria, os bilhetes são únicos e utilizados em TODOS os meios. Você pode pegar trêm, ônibus, metrô, bonde num bilhete só. Ninguém checa NADA! Não tem UM funcionário sequer em qualquer estação ou ponto checando se você comprou o bilhete ou não! Éramos 6 pessoas viajando a semana inteira sem nunca ter visto um fiscal. Quem tem cara-de-pau e sorte viaja de graça. Agora, se houver fiscalização e você não tiver o bilhete, é multa e ficha na polícia. Aí é feio, né. Pegamos o metrô e depois trocamos de metrô (Outra coisa pra se entender: as mil e uma linhas da  rede metroviária.). Minha cunhada desistiu na segunda viagem. Disse que não estava bem e estava chovendo e talz. Resolveu que era melhor ficar no hotel sozinha, dormir mais um pouco e se recuperar. Nós seguimos até a plataforma MuseumsQuartier porque o que se faz num dia de chuva? Visita-se museu, né.

MuseumsQuartier! Ai, meu pai! Deixa eu só voltar e fazer uma observação: eu e minha Sogra passamos a tarde toda antes da viagem imprimindo os mapas e pontilhando os lugares que queríamos visitar. Depois comparávamos os mapas pra ver se alguns pontos coincidiam. Até alguns do Marido coincidiam! Então demos um volta pra ver como é o complexo de museus. Museu de tudo! Não entramos em nenhum, claro, porque meu olho já estava lá do outro lado da rua, nos prédios gêmeos do Museu de Belas Artes e Museu de História Natural. Eu querendo ir ao Kunsthistorischesmuseum e minha sogra ao Naturhistorischesmuseum. Hummmm... Quando ela foi ver, o de história natural não abria às terças e nós fomos todos pro outro mesmo. Que chato pra mim! >) Fila do cão na bilheteria, mas museu na Europa é assim mesmo. Ninguém vai ao Museu da Quinta da Boa Vista, ninguém vai ao Museu da Praça Quinze. Nego não vai nem ao Museu Imperial de Petrópolis! Mas chega aqui na Europa quer aparecer, quer ir pro Louvre, quer visitar a National  Gallery de Londres... Sabem cacete nenhum do que tá lá dentro, mas querem dizer que foram. E aí dá nisso, saem reclamando e dizendo que não viram nada demais! “Ai, a Mona Lisa é tão pequena! Eu esperava  mais!” Como se Leonardo da Vinci fosse pintar só porque é grande, como se só isso fosse importante. Vai pra Itú, cacete! Mas voltando... aqueles tipinhos: “Ai, eu sou tão universitário! Eu sou tão Sorbonne!” Mas tudo bem. Melhor do que ficar aí usando tóxicos (lê-se tóshikus) e depredando telefone público, né. O museu é imenso e leva um dia inteiro pra quem quiser ver tudo. Ainda estamos no lucro: o Louvre leva uma semana! Não vimos tudo, mas vimos bastante... e bastante rápido. Duas horas passaram, assim, voando, e no final já estávamos correndo pelas exposições! Meu cunhado, que não precisou pagar nada (Menores de 19 não pagam entrada em museu nenhum. Maldito!), andou uns 20 minutos pelos corredores e disse que já tinha acabado. Minha Sogra ficou decepcionada com os renascentistas porque os quadros eram muito violentos, muito cheios de dor e sofrimento. Deixa, ela não entende. O mais engraçado foi ouvir do Marido: “Ô, Mãe, arte não é pra ser bonita, não. Arte é expressão do pensamento, e está inserida num contexto histórico!” Hããããããããã?????? Quem falou isso ano passado fui eu!

Nos encontramos lá fora para saber qual seria o próximo ponto. Já reclamavam de fome e então fui apresentada ao meu outro problema da semana: onde comer? Ai, Jesus, me salva do estresse de sair com outras pessoas e ninguém concordar com nada! “Essa comida é gordurosa, essa tem bactéria, essa tá velha, essa tá fria, essa tá quente demais, essa tem glúten, essa é cara, essa é de porco, essa é isso e essa é aquilo." PQP! Nos separamos e cada um foi comer no seu canto. Mas eu ainda tinha o Marido, a pessoa mais difícil do grupo. Achamos um Keller (Em alemão, uma espécie de restaurante de porão, mais semelhante à nossa pensão de “comida caseira”.) e pedi algo simples pra mim e complicado pra eles: frango! Marido pediu um Wiener Schnitzel, que nada mais é do que um bife à milanesa, mas de porco. Aí, a cada pedaço que ele cortava ele enfiava o garfo na minha cara e na cara do Irmão. “Isso tá cru! Isso não tá cru? Vê só!” Aí, eu e o cunhado nos olhávamos e respirávamos fundo, depois abaixávamos a nossa cabeça e continuávamos com a nossa comida.

Cheguando no hotel, sugeriram que visitássemos um restaurante pra comer algo de noite. Era ali mesmo dentro da área do hotel. Você andava por um trilha dentro do mato sem nenhuma luz, só no tato, até achar a luz no fim do túnel (No caso, o restaurante.). Mal pisamos lá, meu digníssimo Marido: “Já vi que é desses restaurantes provincianos, onde todo mundo já se conhece.” Gente, não me levem a mal. Eu amo meu Marido e tô até rindo, mas vai ser chato assim na pindamonhangaba! Ok, sentamos lá eu, Marido e cunhado, que não dispensa comida, e fui ver o menu. Dentre aquela cambada de coisa feita com carne de porco, achei um frango assado! Minha chance. “Mas comer o frango com o quê?” Por que fui perguntar? Tinha “fatias de  pão” no cardápio e fui perguntar que tipo de pão era, né. Tô acostumada com pão francês, oras. Aí Marido perguntou pro garçom: “Qual é o pão que vocês têm?” O garçom não entendia o sotaque do Marido e nós não entendíamos o sotaque do garçom. Parecia filme. Quando, após muita mímica, conseguimos nos comunicar, o garçom: “Como assim qual é o pão? Pão pão, oras.” Marido: “Mas é pão normal?” Garçom: “O que é pão normal pra você?” Aí Marido já começou a ficar puto. E veio a vez da água: “Uma água sem gás, por favor!” Garçom: “Como assim água sem gás?”  E o homem vinha com outro desaforo. E Marido começou a reclamar “Não volto mais aqui! Não vou comer cacete nenhum! Gente grossa, provinciana! Já não basta terem levado aquele homem lá pra Alemanha (O homem em questao é Hitler.)? Eu ainda tenho que ficar aturando grosseria?” Eu e cunhado comemos, calados, nosso meio frango que só não foi à seco porque tinha, sim, água sem gás. Na volta, todo mundo puto! E esse era só o primeiro dia!

23.08.2010 - Enfim... Vienaaaaaa!

Ai, o que é estar no carro com o Marido reclamando o percurso inteiro? O combinado era que eles revezariam a direção a cada duas horas pra não ficar muito cansativo pra ninguém. O sol escolheu justo aquele dia pra lascar a gente e foi um dos dias mais quentes do verão! Minha Sogra tinha empacotado um desses engradados de supermercado, sabe, cheio de comida “pra viagi” pra gente não perder tempo (nem dinheiro!) em restaurante. Eram dois carros, mas o carro dos pais do Marido estava abarrotado de mala e quinquilharia e só os bancos da frente podiam ser usados. Então, fomos eu e Marido no carro abarrotado e o resto da família no Audi, né, com ar condicionado. A idéia era seguir a Irmã1 porque o carro dela tem navegação GPS. Aí, foi o que foi. Segundo o navegador da Irmã1, ela teria que sair da auto-estrada e seguir pelas vilas. Marido fez o escarcéu dizendo que o GPS era um idiota e a Irmã1 uma idiota maior ainda porque não sabia que ir por dentro das vilas era uma merda por causa das curvas sinuosas e dos caminhões que lotam as vias por causa das fazendas. Ninguém lembrou de mencionar que, por dentro das vilas, o mundo fede a merda e eu tava quase sufocando dentro do carro quente. Era morrer de fedor ou de calor! Aí, toca a tentar ligar pra eles no carro da frente mas, claro, dentro das vilas o celular não pegava! Quando finalmente conseguimos contato com o carro da frente, já era muito tarde pra voltar e então seguimos pelas vilas mesmo até encontrar outra saída pra auto-estrada. Conforme a gente seguia mais e mais pro sul a paisagem já ia mudando. Essas coisas são curiosas, né. Já existe um ar de “diferente”. Auto-estrada é um saco porque você mal vê as coisas e tudo só começa a ficar mais paisagístico quando chegamos ao Vale do Danúbio, em Passau. Passau é uma daquelas cidades encrustradas nos vales e parece até brinquedo. Cartão-postal!
Em Passau, fizemos uma parada pra usar o sanitário (Meu Sogro, não, porque pra ele tudo é caro. Ele usa as biroscas sem vaso pros caminhoneiros na beira da estrada!). Eu fico passada com os sanitários públicos daqui. É muito high-tech! Tava eu lá fazendo meu pipi e aí a descarga tem um sensor e, quando você levanta, ela já é acionada pelo seu movimento, né. Como se não bastasse o susto da descarga “se dar” sozinha, sai um braço mecânico da parede que vai rotacionando a tampa do vaso enquanto limpa e desinfeta com sprays. Na saída, o Marido pergunta: “Você não pegou seu cupom?” “Que cupom?” “O cupom que dá desconto de €0,50 no café?” Aí já era informação demais pra mim! Mais uma parada pra comer debaixo do sol e depois mais uma pra comprar o ticket do pedágio pra atravessar a fronteira, que é liberada pra quem vem da Alemanha. Você passa por um pedágio como o que se tem na Ponte Rio-Niterói e nada mais. Estrada, estrada, estrada, estrada, calor, calor, calor, calor... Seis horas depois, enfim Viena!
Como qualquer outra entrada de cidade pela auto-estrada, não havia nada de especial. Àquela altura eu só queria chegar, tomar banho, comer algo decente... Pra achar o hotel ainda precisamos de um pouco mais de paciência porque ele fica no alto do morro e aí tem que subir aquelas ruas estreitas e sinuosas e dividir a rua com outros veículos como tratores, por exemplo. Era segunda-feira e todo mundo trabalhando a mil. A impressão que dava era que o mundo era um grande canteiro de obras. Aí, toca a subir o morro e subir e subir, passamos pelo Palácio Wilhelminenberg e fizemos a piadinha “Pô, bem que a gente podia ficar aqui, hein!” e continuamos a subir e subir... mas era lá mesmo! Voltamos a descer e descer e finalmente entramos no palácio achando que íamos nos hospedar naquele luxo todo pra descobrir que o albergue ficava nos fundos. Tudo bem. Emoção curta é melhor que emoção nenhuma! Mesmo porque os dois trabalham em conjunto, a vista é a mesma e os gramados também. Só muda o público. Quem tem Audi fica no albergue. No palácio, só Lamborguini.
Eu já tava podre de cansada, mas ainda tínhamos que sair pra comprar água e alguma coisa mais “comidável”. Eu não agüentava mais pão e biscoito. Que ilusão! Àquela hora já não se achava mais nada decente pra comer (pro nosso poder aquisitivo) e eu seria apresentada a um dos meus maiores problemas da semana: a água pra beber. Puta que los pariu os austríacos, que eles não bebem água sem gás naquela merda! Foi um sacrifício pra achar água sem gás (Porque eu AMEACEI o Marido de beber água da torneira do banheiro mesmo!) e, quando achamos, era mais caro. Mesmo assim, ainda tinha um gosto estranho, levemente azinhavre. Eu achei que fosse um problema só dos mercados, mas não é não. Eles acham esquisito quando você pede água sem gás e os restaurantes também quase nunca têm! Gente mais estranha! Depois de comer mais pão e tomar água salobra, fui é dormir. Puta que pariu!

22.08.2010 - Preparativos

É impressionante o meu poder de procrastinação! Mas vamos lá. Aqui eu me proponho a falar um pouquinho sobre nossa viajem à Viena.
Bem, tudo foi muito nebuloso nos preâmbulos da viagem. Estávamos sem dinheiro (Por que não estaríamos?) e aí tinha aquele dilema “Vamos ou não vamos?” sabendo que qualquer eurozinho gasto lá seria menos compra do mês depois. Nosso cálculo inicial era um tanto que duplicou quando chegamos lá. Até falamos com minha Sogra que não iríamos mais, e aí foi aquele drama: “Vocês vão me deixar viajar sozinha?” e blá blá blá (Sozinha, no caso, era com o Sogro, o Irmão e a Irmã1, né.) Mãe é fogo e só muda de endereço mesmo. Fomos por consciência pesada! Mesmo porque, depois de passar mais de um ano no Brasil, Marido aprendeu as manhas da miséria e conseguiu convencer a galera do albergue a não pagar os 60% restantes da estadia no ato de chegada. Então, só pagamos dois dias depois. 

A gente ia pegar a estrada na segunda de manhã , então todos (Menos as Irmães 1 e 2.) vieram pra cá no domingo, porque daqui era menos estrada e eles já poupariam umas três horas de viagem saindo daqui. Minha cunhada tava muito doente já há umas duas semanas. Para entender: ela trabalha na engenharia têxtil para automóveis e vive pra lá e pra cá em reuniões com clientes. Pra lá e pra cá mesmo. Antes de Viena ela esteve por uma semana em Shanghai e logo depois teve que ir à Polônia. Mudanca de clima aqui e clima lá acaba com a gente. Então, mal chegou aqui, ela foi pra cama sofrer porque disse que Viena ela não perdia por nada. Tossiu a noite toda e pensamos que ela fosse morrer. Viajamos mesmo assim.

05.07.2010 - Festival Internacional de Samba

Voltamos pra Coburg numa longa viajem de trem porque tínhamos que fazer conexão em Nuremberg. O caminho Ingolstadt-Nuremberg é cheio de túneis e, quando o trem passa lá voando, faz uma pressão horrenda no ouvido e isso várias vezes seguidas. Tinha uma turma de crianças de escola dentro do trem e eles faziam mó algazarra quando a pressão no ouvido aparecia! Viemos com um carinha na aba do nosso Bayern Karte (que nem disse obrigado!) e, para celebrar o mundo dos micos, Marido quase caiu com a mala pesada no corredor do trem porque ele, óóóóó, sempre sabe muito o que tá fazendo. =)
Passamos a semana resolvendo pequenas coisinhas e, no fim-de-semana, conheci minha terceira cunhada, a Irmã1. Ela veio para o Festival Internacional de Samba. São três dias de comportamento insano de quem mora na cidade e fora dela. A populacão de 44 mil habitantes chega a 200 mil e tem gente de tudo quanto é canto, inclusive muitos brasileiros. Não sei qual tipo de contato eles têm, mas eles trazem muitos artistas do Brasil e de fora. São vários palcos espalhados pela cidade tocando samba-enredo, maracatu, axé, forró, lambada... tem apresentação de capoeira e desfile dos blocos no último dia. No sábado, a coisa ficou bem agitada e nós passamos a noite na micareta com o show do Terra Samba, e do Tcham. kkkkk Depois fomos pro show da Nice Ferreira, onde se via muito brasileiro. O calor tava matando e as comidas ‘tipicamente brasileiras’ que eles vendem não têm nada de tipicamente brasileiras, mas tudo bem: a caipirinha é de açúcar mascavo, o milho cozido é doce (sem saber, coloquei manteiga com sal e pimenta!), cachorro-quente é esquisito, a pastel é de carne-de-porco. Uma zona! Na volta, quase atropelamos um esquilo na estrada.

03.07.2010 - Munique

No sábado, antes de voltarmos para Coburg, fomos dar um rolé em Munique. Era dia de jogo da Alemanha x Argentina e a galera tava que tava. Tínhamos lido no guia turístico que o bonde 19 passava por vários lugares de destaque em Munique. Era só pegar o bonde na estação de trem. Só que pegamos o bonde indo na direção oposta e tive que aturar o Marido reclamando no meu ouvido IDA e VOLTA. Pelos menos vi a vida suburbana de Munique e agora sei onde eles têm um famoso ‘Frei Bad’ disputado a tapas que nem espaço na areia da praia da Barra. Pra voltar, tivemos que mudar de bonde mas então passamos pelos prédios históricos, algumas praças, palácios e tal. Na hora da fome paramos numa Gasthaus e foi lá no banheiro deles que eu ouvi Alcione e nem acreditei! Estávamos na área de Marienplatz, coração da cidade, de onde pode-se andar para vários lugares. Na Marienplatz, no prédio da Rathaus, há um Glockenspiel gigantesco
com vários bonecos. Às 17h, quando o relógio toca, eles começam a circular em volta da torre e todo mundo vai fotografar. Aliás, mal parei ali e já fui convocada por um bando de japonesas pra tirar as fotos delas. Da Marienplatz, passamos pelo prédio da Residenz e, de lá, para o Englischer Garten, que está para eles assim como as praias estão para nós aí no Rio. Pessoal se banha, toma sol, joga bola, solta pipa, corre, o diacho... Como era dia de jogo e tava todo mundo bêbado, pular no rio e deixar a correnteza levar era a pedida do dia. Ah, sem falar do pessoal surfando no rio. A volta de trem foi um escarcéu com todo mundo bêbado e tentando vir na aba do Bayern Karte dos outros (que é o tal cartão de 28 Euros que você compra pra andar em qualquer tipo de transporte, é válido por um dia inteiro e pode ser usado por até 5 pessoas).

01.07.2010 - Nuremberg

Bem, acordamos dispostos e fomos a Nuremberg para visitar o zoológico. É bem diferente também. Eles não usam muito o sistema de jaulas, eles recriam ambientes como o habitat original nos animais, com uma espécie de fosso ao redor. Então os bichos ficam lá separados pela água, mas sem grades. Eles não têm tantas aves como no Rio, mas você pode entrar nos grandes viveiros. A grande atração são os ursos, as focas e o delfinário, com apresentações três vezes por dia (tadinhos!). O zôo está em período de expansão e eles estão construindo um delfinário GIGANTESCO, ao ar livre, que será finalizado só-deus-sabe-quando. Depois do zôo, pegamos o bonde, literalmente, até o centro da cidade. Muitos prédios históricos e cenas medievais bacanas que eu tive que estudar por conta própria porque Marido não sabe de nada com nada. ‘O que é esse prédio?’ Depois do terceiro ‘Não sei.’, decidi procurar sozinha. =)

- O novo lar

A casa é razoavelmente grande. No último andar temos um quarto-salão muito comum por aqui. Alguns usam como sótão, alguns como escritório e alguns como quarto mesmo. É o maior cômodo, e tem aquele teto inclinado acompanhando o formato do telhado. Em Coburg, bati a cabeca algumas vezes pra deixar de ser prego. Em suma, tem espaço pra todo mundo!
Achei a casa em Ingolstadt muito isolada e fantasmagórica. Você olha lá de cima e vê aquela área enorme em volta dela e pensa: ninguém vê nada se alguém entrar aqui. Não existem muros, o portão é simbólico e não tem iluminação nas ruas. O parque que fica no início da nossa rua não tem um poste de luz (Bem, agora já tem dois.), você vê todos os vaga-lumes! Como a eletricidade é cara, ninguém deixa luz acesa fora de casa. Por mais que ninguém se apavore, gato escaldado, sim. O melhor de Ingolstadt é estar no meio das cidades maiores, como Regensburg, Augsburg, Nuremberg e Munique. De trem, em uns 45 minutos você chega em qualquer uma delas. Muita gente faz isso: mora em Ingolstadt e trabalha nas outras por causa dos preços. Morar em Munique, por exemplo, é quase impossível. Por ser sede da Audi, Ingolstadt recebe muita gente trabalhando aqui também. A estação de trem principal está sempre enfileirando carros da fábrica e aquele barulho do ‘encaixe’ dos vagões é super agradável. Também há um grande escoamento de soldados por causa da base militar que temos aqui.
No domingo,fui dar minha primeira volta depressiva num lugar onde nada abre aos domingos, nem os restaurantes. Avistamos uma agência do Santander (que ainda não entendi) e uma loja de sapatos de marcas brasileiras. Depois de muito andar e com muita fome, achamos uma Gasthaus de comida espanhola e foi lá mesmo que resolvi ficar. Pedi o pedido mais seguro de todos: frango com batata, pra depois de muito esperar perceber que colocaram cerveja no tempero do meu frango. Fiquei muito puta!

- Ingolstadt - A adaptação

Ingolstadt não é como Coburg, onde as coisas estão mais centralizadas. Aqui você precisa de carro ou espera pelo ônibus que não virá a cada 5 minutos. Eles levam essa história de área residencial muito à sério. Onde se mora, não se compra. Não temos nada na esquina ou logo ali na rua de trás. Tudo vai te levar a sair com o carro ou, mais comumente, a bicicleta. Aqui TODO mundo tem bicicleta, da menor criança ao mais velho vozinho. As pessoas fazem compras massivas pra estocar grandes quantidades de água mineral, sucos, material de limpeza, todos os tipos de não-perecíveis e depois ficam dando essas voltinhas pra comprar pão e carne, por exemplo. Os mercados não fornecem sacolas de compras: você paga, põe tudo no carrinho de novo e depois descarrega no seu carro. Quem não vai de carro, leva sua própria sacola ou cestinha. TUDO se recicla. As garrafas plásticas funcionam como cascos: você leva de volta e recebe o dinheiro. Embalagens são recolhidas pela companhia de lixo num dia diferente do lixo comum. Todo mundo tem que pagar para ter a concessão das lixeiras em casa (Essas, por sua vez, vêm escritas em alemão, russo e turco). A taxa depende de quanto lixo você pretende produzir. Daí a companhia de lixo te fornece os contêineres para papel, plástico, metal, lixo comum e o cacete a quatro. Nas ruas, você vê enfileiradas várias lixeiras para cada tipo de lixo. Eles também têm umas especias para roupas e sapatos velhos. Mó doideira! Ainda estou me acostumando a ter que comer e ir descartando cada coisa numa lixeirinha diferente.

30.06.2010 - Torneira's Feelings

Dia seguinte à entrevista, foi o drama da torneira da pia da cozinha! Marido não queria gastar 100 Euros pra virem instalar a torneira e resolveu fazer sozinho. Fomos lá achar uma que coubesse no nosso orçamento apertado e o mínimo que conseguimos foi 99 Euros sem instalação, é claro! Voltamos e as ferramentas que nós tínhamos na casa não eram adequadas ao serviço, então tivemos que voltar pra comprar ferramentas pra que ele pudesse instalar. Como previsto, ele instalou errado e, no dia seguinte, ainda tínhamos o drama. Toca a ligar pra todo mundo, inclusive os carinhas da loja, que trataram ele com a maior descortesia como se dissesem ‘Ué! Você não quis pagar a instalação, agora se fode aí!’ Bem, entre mortos, feridos e muito berros entre Marido e a mãe dele, todos se salvaram! Aqui nada se conversa, tudo se grita! Eles gritam quando dirigem, quando fazem compras, quando têm que resolver qualquer coisa. Como Marido é um anjo com uma capacidade incrível de despertar o demônio em nós, já cheguei à conclusão de que enquanto eles se degladiam, eu resolvo com meus próprios métodos!

29.06.2010 - Munique

Chega a manhã e aí que fui ver a casa. O plano da minha Sogra era ir lá aparar a grama e ver as condições da casa antes de mudarmos. Ela ficou aqui trabalhando no jardim e eu acompanhei o Marido até Munique para a entrevista. Ele cismou de usar terno e ficava reclamando do calor, CLARO!, mas parece que funcionou. Como não se trata de um ginásio do governo, parece que a direção tem mais liberdade para montar seus cursos. Nas duas horas em que eu estive lá esperando, fiquei observando a criançada indo e vindo. 
 Coisas que você não verá numa escola alemã:
  • pais enfileirando carros na porta, pois todas as crianças vão de bicicleta ou patinete;
  • uniformes;
  • 1000 crianças correndo no recreio ao mesmo tempo, pois cada turma tem seu intervalo;
  • professores berrando feito uns desesperados;
  • criança matando aula;
  • alunos falando inglês na aula de inglês.
Coisas que você definitivamente verá:
  • adolescentes que parecem já ter passado dos 25;
  • criança usando meia preta com sandália, mesmo no calor;
  • meninas com shorts de 5cm;
  • meninas maquiadérrimas e de salto alto, mesmo aquelas das bicicletas!;
  • menino-novo-criado-com-vó com atitude ‘Eu-sou-muito-foda!’

28.06.2010 - Ingolstadt

Na segunda, nosso plano era partir para Ingolstadt por causa da entrevista do Marido, em Munique, na terça-feira. Antes disso, tivemos que voltar ao Departamento de Estrangeiros, em Coburg, pra fazer meu registro de visto. Não demorou muito. Agora eu tenho o selo lá no meu passaporte e não posso ser deportada por pelo menos um ano. Com Marido no volante correndo feito um desembestado, chegamos a Ingolstadt em menos de três horas, por volta das 23h.

27.06.10 - Pedalando...

Chega o domingo e tivemos a idéia idiota de pedalar. Como Marido foi quase ‘profissional’ no esporte, ele é cheio de gueri-gueri com equipamentos e tal. Me fez colocar aquela parafernália toda e eu nunca tive bicicleta cheia de marchas na vida, então TUDO era muito desconfortável e ridículo. O guidão ficava longe do assento e meus braços doíam pra cacete. Sem falar das marchas esquisitas em que você pedala e pedala e nunca sai do lugar. Experiência drástica! Toda hora eu achava que ia cair ou que algum carro ia me pegar. Aqui ninguém dirige a menos de 140 km/h. A maioria na fixa dos 200m/h. Os carros passam feito foguetes e as motos, quando você vê, já viu! Nego pilota a até 250 k/h e eu não quero estar lá quando um derrapar na ciclovia! Um dia, quem sabe, eu tento de
novo!

26.06.10 - Bamberg

No sábado, fomos a Bamberg visitar duas das irmães do Marido. Passamos rapidinho na casa da Irmã3 para a Mãe do Marido deixar umas coisinhas e supervisionar o comportamento! =) e depois fomos até à casa da Irmã2 dizer um oi. De lá, visitamos o Festival Canalíssimo, uma espécie de feira de antigüidades e afins ao longo do canal (Daí o nome!), onde todo mundo senta pra comer debaixo do sol e finge que não está passando mal com aquele calor no quengo. A região é conhecida como Pequena Veneza, com gondoleiro e tudo mais. Comi frango assado e a famosa salada de batatas (Minha experiência comendo carne aqui tem sido um pouco chocante. A carne tem gosto de carne e não aquele gosto de aguadinho básico da carne congelada a que estou acostumada. Então, o frango tem aquele gosto forte de FRANGO e, sei lá, tenho que me acostumar com isso. Ainda não conseguiram me convencer a comer essas lingüiças estranhas. Quando não temos frango, faço dieta vegetariana mesmo e fico na salada de batatas!). Tem gente que veste traje típico (o Dirndl e a Lederhose) aqui da Baviera e eu paguei o maior mico perguntando se eles iriam fazer alguma performance folclórica e me disseram que nao, que tem gente que gosta de se vestir assim. Ah, tá!

25.06.10 - Coburg

No nossso segundo dia, fomos aos Departamento de Registro de Estrangeiros de Coburg. Fato aqui na Alemanha: se alguma coisa fecha às 12h, não adianta chegar às 11:50 se o seu caso não vai ser resolvido até às 12h. Eles FECHAM mesmo. Não tem essa história igual a entrar no Guanabara às 21:50 e fazer compras até depois das 22:00 e o caixa que se ferre lá te esperando. Eles FECHAM e te expulsam da loja, se necessário! Ou seja, como Marido quer fazer mil coisas ao mesmo tempo, não pudemos resolver meu problema porque chegamos tarde demais e tivemos que voltar na segunda-feira! A coisa mais interessante é que, em dois dias na Alemanha, eu já tinha feito um tour por vários supermercados da região. Marido tem essa mania irritante de se enfiar em supermercado por horas a fio e naquele dia eu perdi a paciência!

24.06.10 - Enfim, Niederfüllbach!

No nosso primeiro dia em Niederfüllbach, fomos buscar uma das quatro caixas que havíamos enviado. Ela chegou pelo correio e recebemos a notificação naquele dia mesmo! Sem maiores problemas, só com as minhas coisas todas reviradas e quebradas dentro da caixa, mas tudo bem, né (As outras três retiramos depois via alfândega porque havíamos escrito ‘notebook’ no conteúdo e eles acharam que era laptop). Daí fomos a Grub am Forst registrar minha presença ilustre como nova moradora e depois a Coburg comprar umas coisinhas. Já passava de certa hora e a cidade estava bem vazia. Marido estacionou num desses prédios-garagem e fomos dar um rolé. Quando ele falou que vínhamos morar na roça, eu não pensei que, numa cidade pequena, pudesse achar tanta coisa. Aí eu conheci a Müller, uma loja de departamentos cheia de tudo que eu precisava! Aqui também é o paraíso das miniaturas! Não sei se porque as pessoas viajam muito, tudo o que você pode imaginar, eles têm em miniatura: sabonete, shampoo, pasta-de-dente, fio-dental, desodorante... Comprei alguns pra levar na bolsa. Mó mão-na-roda!

23.06.10 - Em Frankfurt!

Sol castigando a gente. O lado obscuro do calor aqui é que você não vai achar, assim, umas lojinhas pra se entocar no ar condicionado porque aqui quase nenhuma loja ou restaurante tem sistema de ar condicionado. No máximo, eles usam é ventilador mesmo! Maioria dos carros é quente que nem o bafo do capeta e andar na rua é convite pra passar mal. Depois que eu reclamei muito, Marido resolveu me explicar o porquê de eles não terem ar: ele diz que não é vantajoso investir em algo que eles vão usar por, no máximo, dois meses. Bem, eu ainda acho que vale à pena, mas...
Nossa viagem foi tranqüila dentro das possibilidades. É muito cansativo e você mal consegue dormir por causa da posição do assento e aquele bip-bip de ‘põe o cinto’ e tal. É um mundo lá em cima. Gente andando pra baixo e pra cima, aqueles comissários te servindo o tempo todo. Me senti como um bicho no zoológico esperando a minha comida na minha baia. Mesmo com todas as opções de filmes e música a que você tem acesso, chega uma hora em que tudo o que você quer é aterrisar e acabar logo com aquilo. Tudo foi tranqüilo com a bagagem, só um pouco de destruição das malas, mas isso é normal.
Chegando em Frankfurt, os pais e o irmão do Marido esperavam por nós com a nossa van alugada. Primeiro, passamos pela casa do Tio pra almoçar. Eu ainda estava fora de ar. Tudo foi muito, assim, dãããããã, pra mim. Do quintal do Tio, você vê a movimentação das embarcações pelo rio e também o castelo de Würzburg. Olha só, hein! Dali, o pai do Marido dirigiu até em casa com o Marido reclamando disso e daquilo. A Mãe dele dizia que ‘nada havia mudado’.

Brasil x Alemanha: os blá blá blás do 7 x 1

Bem, resolvi postar no blog porque aí lê quem quiser e eu não fico flodando a timeline de ninguém. Desde a catastrófica derrota do Br...