E aí chegou a sexta-feira! A verdadeira razão de ir a Viena era essa: minha Sogra e seus primos se encontram uma vez por ano numa espécie de Festa dos Primos. Esse ano escolheram Viena porque uma das primas está morando por lá. A idéia era encontrar o povo às 18h, então qualquer coisa que ainda quiséssemos fazer teria que ser bem cedo. Depois do café partimos eu e Marido para o Complexo Schönbrunn. O bicho é enorme e a visitação inclui pacotes que variam de 40 minutos a 2 dias. Lá estão o Palácio Schönbrunn (casinha de veraneio dos Habsburgo), jardins, observatório, labirinto, o Museu da Crianca Imperial (!), o Museu de Carruagens, a Experiência do Deserto, a Casa das Palmeiras e o zoológico mais antigo do mundo. Começamos pelo zoológico porque a intenção era ver os pandas gigantes.
Antes de eu assitir a penca de programas sobre zoológicos aqui na TV alemã, eu não tinha a menor idéia de que nenhum zôo pudesse “possuir” um panda. Eles são concedidos pelo governo chinês num empréstimo de 10 anos e, após esse período, reavaliam se os pandas voltam pra China ou se renovam o contrato. A gente tava que nem criança, só falando de panda já há uns dois dias. No momento que atravessamos o portão do Schönbrunn, nos jogamos pra área dos bichoes. Para nosso total desespero, por causa do novo bebê panda, os ursos panda (que nem são ursos) estavam afastados da visitação. O quêêêêê? Fiquei über boladaaaaa! Mas, já que estávamos lá, que explorássemos o zôo.
Passeamos por vários “habitats” dum zoológico que é mega enorme. Encontramos uma Floresta Amazônica mantida dentro de uma estufa gigantesca, NAO, mas G-I-G-A-N-T-E-S-C-A! Olha que engraçado. Atravessei o Atlântico pra vir visitar a “Amazônia” na Áustria. Eles têm pontes, rampas, passagens, até elevador a floresta tem! Várias espécies de plantas e animais são mantidas lá (Vá saber como elas chegaram.) Também tem cavernas, e ficamos no maior impasse se entrávamos ou não até que uma mulherzinha abriu uma das cortinas e uns morceguitos sairam de lá e todo mundo danou a gritar que nem umas bibas. Depois de refletir sobre o assunto por uns… dois segundos, resolvemos entrar na primeira caverna. Freak show: centenas de morcegos voavam em ângulos que até a física desconhece! Tudo era roxo, fruto da luz negra que colocam lá para dar aos visitantes a chance de “ver” alguma coisa sem matar os morcegos de fotofobia. Mas o que mais me chocou foi o cheiro. Era um cheiro indescritível, um cheiro de outra dimensão, tem nem com o que comparar. Eu só gritava e gritava com aqueles morcegos voando em volta da gente, por cima das nossas cabeças, e aquele cheiro horrendo alimentando meus pensamentos mais fúnebres. Não quis mais saber de caverna nenhuma e já me sentia a galera do South Park: “Morra, floresta tropical!” Voltei pra fotografar os outros bichos, Marido se apaixonou pelo bebê elefante (Depois de mim, por que não?) e na saída da área dos elefantes achamos uma máquina de cunhar moedas de dois centavos. Você poe a moedinha lá e escolhe o emblema do zoológico que mais te agrada e depois roda e roda a manivela (Sem piadinhas, por favor!) até ela escapulir pelo buraquito. Eu escolhi o Panda, claro!, e Marido, os elefantes. Mais uma vez, não só parecíamos duas crianças descobrindo a pólvora, mas também tirávamos a chance de qualquer outra crianca se aproximar da máquina. Marido foi trocar uma moeda de 1 Euro em moedas de 2 centavos pra gente fazer mais dinheirinho de zôo. Ele diz que é muito barato me fazer feliz!
Já tínhamos, muito frustradamente, desistido dos pandas quando avistamos mó galerão, câmeras, microfones e repórteres inclusive, aglomerado no canto. De repente a horda veio trotando em nossa direção e, num flash, pensamos que só podia ser por causa do novo pandinha. Danamos a correr na mesma direção e lá estava ele: papai panda Long Hui. Ele bebia serenamente sua aguinha do riacho quando aquele bando se aproximou do vidro e ele levantou a cabeca como quem dissesse “WTF” e depois saiu de fininho pra dentro do mato. Fotos batidas e muita histeria depois, nos sentíamos realizados na nossa missão. Deixamos o zôo e andamos por entre as alamedas até chegar na região do palácio.
Tentamos subir até o Gloriette, mas o caminho em zigue-zague fazia a distância triplicar. A outra opção era tentar o declive, ainda muito mais íngrime, do lado direito que contornava o labirinto. Ainda não recuperados da andança do dia anterior, eu já sentia uma febre muscular tomar conta do meu corpo e já sabia que essa viagem ia me levar à doenca. Bem, chegamos lá no topo do Gloriette e vimos o céu preto prontinho pra desabar nas nossas cabeças. Saímos de lá já embaixo de ventania com direito a muito cabelo na boca e terra no olho. Apalpando os caminhos, achamos o ponto de ônibus depois de já discutir com o Marido que a melhor opção seria pegar o mesmo bonde com o qual tínhamos chegado lá. Mas o maldito não me escuta! Pegamos o cacete do ônibus, já bebendo água em pé naquela chuva, pra saltar dois pontos depois porque o mané finalmente percebeu que só o bonde ia nos deixar no centro, conforme EU tinha falado. Ai, Jesus! Me afasta do divórcio!


4 comentários:
In words of Dani "Soh a Mari-Anna, ne?"
Rachei com a historia dos morcegos, mas que eles fedem, ah mas fedem. E MUITO!! Aqui eu entrei numa dessas paradas escuras pra morcego, NO VERAO, e me arrependi profunda e amargamente!!
Beijao!
Cris.
Pelo menos você me entende, né? =0
Imagina entrar numa caverna com a morcegada toda fedida no meu cangote....Que medo!
Semana passada, na Vila Drácula, mais morcegos fedidos! G-ZUZ!
Postar um comentário