segunda-feira, novembro 15, 2010

- Brasil x Alemanha 1: quem ganha no Tudo pelo Social?

Viver na Alemanha é bem mais barato… em tese. A comida no supermercado, principalmente os bolos, biscoitos, chocolates, iogurtes… tudo o que faz uma compra do mês super cara no Brasil, aqui é três vezes mais barato. Também fiquei chocada com o preço dos toiletries porque os produtos são muito mais em conta. Também temos de tudo que usávamos no Brasil aqui. Pelo menos, tudo o que a globalização permite. De certa forma, quando você ainda consegue usar seus produtinhos, você não se sente, assim, tão fora de casa, né?

O que é definitivamente caro aqui é viver na seguridade e na legalidade. Normal. No Brasil é caro também,. O problema é que quase todo mundo contorna com pirataria e ilegalidade. Aqui não tem „Cat-Net“, não tem birosca, não tem ninguém fazendo „bico“. Então, pra você ter TV a cabo, por exemplo, você paga não só a TV a cabo mas também imposto para as companhias de telecomunicação para ter o direito de usufruir de telefone, internet, rádio e televisão. Não basta pagar ao provedor, à sua companhia telefônica, à sua TV… você também tem que pagar imposto além pelo direito de ter essas coisas na Alemanha. Download de filmes e séries? Esquece, baby . Nem conto a história do amigo do Marido, que se divorciou num processo briguento e teve que desaparecer com sua coleção de 6000 DVDs copiados por medo de ser delatado pela mulher! A não ser que você PAGUE por cada episódiozinho de LOST. Locadoras quase não existem. Pegar um ônibus e ir até uma alugar um filme é mais caro do que comprar o famigerado por 5 paus. Aqui, compramos todos os filmes e séries que queremos acompanhar. O problema é ter espaço depois pra guardar essa tralha toda. No início, ainda tivemos o problema do DVD player que tínhamos comprado não ler os filmes que eu trouxe do Brasil (Nunca tive esse problema no Rio. Meus DVDs liam até Machado de Assis!). Aí, devolvemos o DVD player, a loja devolveu o dinheiro e pedimos outro pela A**z*n.com. Tudo se compra pela Internet. O carinha da DHL tá mais íntimo do que meu Intimus! Toda hora vem o fulano entregar alguma coisa…

Pra tudo aqui você pecisa de seguro. Qual vai ficar cobrindo a casa, qual é a melhor para cobrir o carro, a seguridade pessoal… Sem seguro você não pode ser professor, por exemplo. Então, o professor-to-be tem que contratar uma empresa que cubra seus custos caso algo aconteça com um aluno: advogados, despesas médicas, tudo isso. Impressionante, não? As leis trabalhistas não permitem trabalho aos domingos. Ponto final. A não ser que você trabalhe nos hospitais, na policia, nos bombeiros e na indústria de turismo, você NAO PODE trabalhar no domingo. Você não pode nem aparar a grama com seu „lawn mower“. É proibido fazer barulho de maquinaria no domingo e a vizinhança pode chamar a polícia. Fato: se eu tivesse minha rotina de trabalho do Brasil aqui, eu estaria muito F****, porque domingo era só o que me restava pra cuidar do resto da vida. Mas ninguém aqui trabalha 11 horas por dia de segunda à sábado, então… Nada aqui abre aos domingos. Não tem shopping, não tem restaurante, não tem supermercado, não tem farmácia, só tem espaco na rua. Nas cidades maiores, você ainda acha a galera andando pra lá e pra cá, visitando os museus, os parques, as praças… Depois, pra comer, ou você fica pelos „cafezes“ dos museus e galerias (que são mais caros, óbvio!) ou vai ficar rodando pela rua até achar uma Gasthaus, se achar. Driblar os custos é mais difícil. O sistema é feito para que você consuma e mantenha a roda funcionando, o que faz total sentido no capitalismo. Você não pretende visitar o Deutsch Museum e depois ir comer no Geléia, né? Você vai visitar o museu e depois financiar as lojas deles, claro. Faz sentido. O problema é minha mentalidade saída de onde grande parte da economia é informal, onde todo mundo dá um jeitinho, se acostumar com isso.  

Viver aqui na Baviera é seguro e sem estresse. Não se fica olhando pra trás achando que alguém vai abrir a sua bolsa. Não é preciso saltar do ônibus porque se acha que vai ser assaltado. Não  é preciso botar o coração pra fora da boca toda vez que se pega uma via expressa por medo de algum infeliz comecar um tiroteio a qualquer momento. A palavra assalto levanta muitas sobrancelhas aqui. Quase ninguém sabe o que é isso. Não existe o medo de ir a um caixa eletrônico, de colocar a  câmera fotográfica pra fora da bolsa, de atender o celular na rua. Não existe o medo da violência que a vida de miséria proporciona. Não existe miséria.... Então, as pessoas têm que ser criativas e inventar algo pra ter com o que sofrer. Não existe a satisfação hipócrita de „ajudar o próximo“ com esmolas. Ninguém precisa da sua roupa velha, ninguém precisa do resto do seu pão. Os orfanatos quase não têm órfãos. Muitos casais que não querem filhos, NAO têm filhos. O governo faz campanha pra que as pessoas procriem mais: „Vambora fazê uns filho aê, cambada! A previdência precisa explorar essa força de trabalho!“ Não tem bicho abandonado na rua. Cachorro, por exemplo, tem quase tanto direito quanto gente. Eles entram nas lojas, nos shoppings, nos hotéis, viajam nos ônibus e nos trens. As áreas de floresta são sinalizadas pra que você não atropele as corsas e os lobos que atravessam por lá. Os bichos silvestres que você acha no seu quintal sem hibernar no período de inverno têm que ser levados às estaçoes veterinárias pra que sejam cuidados lá. Senão, quem paga multa se o bicho morrer é você! Ou seja, um ouriço pode ferrar com a sua vida! Taí, já tem um problema pra sofrer, hã!



Um comentário:

Brenda SilBar disse...

Mari, que país é esse?
Posso visitá-la de vez em quando??? :D

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