quarta-feira, novembro 24, 2010

- Receita para Favela

Em virtude dos últimos acontecimentos no Grande Rio e dos infinitos artigos e comentários na nossa mídia, venho contribuir com meu verso:

Como fazer uma favela:

- Invada um território, extermine 90% da populacao que lá estava (muito bem, obrigada) e separe alguns para decoracao;
- Roube todos os recursos minerais e a biodiversidade que puder por uns 100 anos;
- Use esses recursos para enriquecer suas terras o mais rápido possível;
- Mande para o degredo lá todos os ladroes, estupradores, bandidos de todas as estirpes que nao puderam ser enforcados em sua própria terra;
- Quando nao mais der conta do trabalho bracal, comece a importar gente a preco de cavalo para trabalhar no seu novo espólio;
- Mantenha essa gente trancada, mal nutrida e explore tudo o que puder extrair dela;
- Subjugue, maltrate e tire de toda essa gente a condicao de ser humano;
- Faca acordos político-econômicos com poderes maiores do que o seu;
- "Liberte" a gente subjugada, maltratada e sem identidade e diga que agora eles sao livres pra fazer o que quiserem;
- Impossibilite que a nova gente libertada tenha direitos de trabalho e sustento;
- Nao inclua os "novos-livres" em seus projetos de crescimento e impeca que eles circulem nas áreas urbanas;
- Mantenha sempre bem longe essa gente das (agora) grandes cidades e, de vez em quando, dê uma esmola em nome do seu espírito cristao;
- Permita que toda a riqueza do seu novo território se acumule em 16% das novas cidades, mantenha os outros na pobreza e ignorância extrema;
- Aos poucos, comece a deixar que a gente isolada, maltratada e mal nutrida chegue aos centros urbanos;
- Ainda nao dê a eles nenhuma condicao digna de sustento, nenhuma protecao, nenhum respeito;
- Finja que nao vê o mundo paralelo que essa gente comeca a tentar implementar nas periferias, com suas próprias leis e métodos;
 - Continue a nao dar atencao à falta de recursos e de condicoes em que essa nova gente vive;
 
Está pronta a sua receita! Agora esse novo povo está inflado, numeroso e segue suas próprias leis.
 - Para melhorar essa receita, você pode mexer com eles de vez em quando, dizer que tudo deve funcionar à sua maneira; 
- Mas, lembre-se: nunca NUNCA dê a eles condicoes de sair dali, de emancipar o conhecimento e de viver uma vida plena;
- Por fim, diga que tudo o que você fez foi pro bem deles e que sao todos uns mal-agradecidos! Ponha a culpa de tudo neles... SEMPRE!

segunda-feira, novembro 15, 2010

- Brasil x Alemanha 4: Pequenos (rosa) Choques Culturais

Quando a gente vem pra morar é tudo diferente. Uma coisa é ficar correndo de hotel pra hotel, estação pra estação, de ponto turístico pra ponto turístico. Quando você tem que cuidar de uma casa, lidar com os sistemas, administrar o dia-a-dia, certamente não é o mesmo. A gente tem os dois lados: é muito bom porque SÓ ASSIM você realmente experimenta a outra cultura (O turista não sabe de nada. O turista tem tudo feito pra ele. É o propósito da indústria. O turista não é bem-vindo, o turista é NECESSÁRIO.). Por outro lado, vêm os choques. Até então, os meus têm sido mínimos, pequenas coisinhas que fazem um pouco de diferença mas não mudam o „core“ da questão. 

Aqui não é fácil achar depilação, manicure… Já cabeleireiro, tem pra todo lado. Quase nenhuma loja ou supermercado aceita cartão de crédito. Você vai ao shopping, pega suas compras e depois não pode pagar se não tiver dinheiro na mão. 

Os filmes e séries da TV são dublados em alemão. Fala sério! Isso é coisa pra TV aberta, pô! Aí, você vai ao cinema e descobre que NENHUM filme está no original. TUDO dublado. Eu já não ia a certos cinemas no Rio exatamente por esse motivo. Não é agora que vou comecar a pagar cinema pra ver filme dublado… em alemão! Então, o cinema morreu pra mim. Muito triste, pois era uma das coisas que eu mais gostava de fazer.

Quando você mora numa cidade universitária, como é o caso de Bamberg, você tem muitas opções de „night“: bares, cafés, boates, festas… Em Ingolstadt tem muito pouco. Aqui o lema é a qualidade de vida e, pra eles, isso não pode ser alcancado com bares e bebedeira e gente gritando na rua. Aqui a vida é mais calma. As pessoas prezam pela saúde física e mental. Existem muitas opções de esportes de todos os tipos, desde a simples pedalada na bicicleta que TODO mundo tem, até esportes radicais. Quem quiser esticar um pouquinho, pode ir pros Alpes  ali em Garmisch Partenkirche dar uma esquiadinha ou saltar nas rampas de esqui. Temos agora a temporada de hockey e os rinks para patinação estão abertos a preço de banana. Aliás, mais baratos do que banana. Aqui, a hora custa em torno de € 2…

- Brasil x Alemanha 3: Visita de Médico


Ir ao médico é uma tortura. Não existe sistema público de saúde. Bem, o nosso no Brasil também não ajuda muito. Aqui eles fazem de tudo pra te arrancar dinheiro. Se não der, eles nem pedem exame. Os exames laboratoriais são feitos pelo médico ou, pior, pelas assistentes. Não rola pedir um exame de sangue e você levar o pedido ao S.F. e fazer lá. Eles coletam no consultório mesmo e, geralmente, são as infelizes das assistentes que fazem isso. Até agora não achei uma pessoa sequer que saiba lidar com minhas veias „hide and seek“. Nunca me machucaram no S.F. Aqui, eu fico com o braço roxo por uma semana! Da última vez, nem conseguiram achar minha veia do braço e furaram minha mão. A dor tá aqui até hoje! 

Os ginecologistas não têm avental no consultório. Como assim? Pra eles é super simples ficar totalmente pelado só porque os caras são médicos? Vai pra PQP! „Ah, mas você não poe a bunda de fora lá no Rio?“ „Na praia, né, infeliz! Todo mundo tá de bunda de fora.“ Ou seja, eles conseguem deixar uma visita já tensa ainda mais tensa. 

Na dermatologia eu tô sofrendo com o problema dos consultórios super lotados e com essa mania: Simulação: eles têm dois médicos e cinco consultórios. Aí, eles põe cinco pacientes, um em cada consultório, e os dois médicos ficam pra lá e pra cá entre as consultas. Quase nunca alguém passa tempo realmente com você e o seu problema. É horrível. Você não cria um „bond“. Ah, e se você tá com três  problemas, por exemplo, você tem que ir a três consultas. O médico não pode tratar várias coisas ao mesmo tempo. E se os cacetes dos problemas estiverem interligados? Eu quero o House!

- Brasil x Alemanha 2: Um + Dois = Feijão com Arroz

Tem gente que sempre me pergunta sobre a comida. Bem, feijão com arroz rola, sim. Arroz a gente já faz todo dia mesmo e feijão, quando eu estou com saco, eu também faço. Eu nunca mais comi feijão com arroz todo dia desde que passei 2 anos em dieta pra perder os 20 kilos que separavam minha boa forma de kibe de uma adolescência mentalmente saudável. Então, perdi o hábito. Às vezes como, às vezes não. 

O problema aqui é que não sou uma pessoa muito fã de certas carnes, o que reduz meu consumo ao frango (que aqui é mais caro) e ao peixe. Carne de porco não rola comigo e a carne de boi tem um gosto esquisito demais. Coisas que a gente não pensa: se o boi deles come outras comidas, vive em outro clima, bebe outra água, claro que o sabor da carne muda. Estranho, mas é a biologia. Então, eu não gosto da carne bovina daqui e até o Marido admite que a nossa no Brasil era melhor. 

O controle de qualidade do governo alemão é tão grande, que várias indústrias não têm o direito de produzir certos alimentos aqui. Tudo é feito com muito pouco sal e muito pouco açúcar. A mulherada alemã praticamente não tem celulite. Fato: não importa se a bicha é gorda ou não. Quer ver uma alemã na multidão, procura a que tem menos furos na perna. Minha SOGRA não tem celulite! Como é que pode isso? O governo está pra vetar o glutamato monossódico, vulgo pózinho que usamos nos caldos, sopas prontas, salgadinhos e o c***** a quatro. Já acharam várias associações do produto com alergias e outras doenças. Então, pra evitar problemas no sistema de saúde, eles agem rápido. As indústrias agora têm que rebolar pra reajustar seus produtos. 

É sempre uma neura quando a gente vai fazer compras. Eu quero minhas frutas e verduras, o que não é tão simples assim. Algumas praticamente não existem e outras vêm de fora. O melhor tomate  pra mim é o holandês, e aí o Marido implica porque o controle de qualidade deles „não é tão sério“ e então eu posso estar comendo um monte de porcaria. Pô, que saco! Já não tem meu aipim, minha farofa, meu abacaxi, minhas verdurinhas decentes e o infeliz ainda quer vetar as que eu acho? Rola sempre uma briguinha básica… ou eu compro escondido! Algumas frutas só dá pra comer enlatadas e outras como framboesas, morangos, blueberries, nessa época do ano, a gente acha congeladas em grandes pacotes. É por aí. Daí, meu digníssimo inventou essa intolerância a glútem e frutose e agora vive uma vida de arroz, frango e pão feito em casa. Eu não consigo viver assim. A comida perdeu a graça! Mas, justiça seja feita, a batata, os pães, os sorvetes e os chocolates daqui são infinitamente melhores.

- Brasil x Alemanha 1: quem ganha no Tudo pelo Social?

Viver na Alemanha é bem mais barato… em tese. A comida no supermercado, principalmente os bolos, biscoitos, chocolates, iogurtes… tudo o que faz uma compra do mês super cara no Brasil, aqui é três vezes mais barato. Também fiquei chocada com o preço dos toiletries porque os produtos são muito mais em conta. Também temos de tudo que usávamos no Brasil aqui. Pelo menos, tudo o que a globalização permite. De certa forma, quando você ainda consegue usar seus produtinhos, você não se sente, assim, tão fora de casa, né?

O que é definitivamente caro aqui é viver na seguridade e na legalidade. Normal. No Brasil é caro também,. O problema é que quase todo mundo contorna com pirataria e ilegalidade. Aqui não tem „Cat-Net“, não tem birosca, não tem ninguém fazendo „bico“. Então, pra você ter TV a cabo, por exemplo, você paga não só a TV a cabo mas também imposto para as companhias de telecomunicação para ter o direito de usufruir de telefone, internet, rádio e televisão. Não basta pagar ao provedor, à sua companhia telefônica, à sua TV… você também tem que pagar imposto além pelo direito de ter essas coisas na Alemanha. Download de filmes e séries? Esquece, baby . Nem conto a história do amigo do Marido, que se divorciou num processo briguento e teve que desaparecer com sua coleção de 6000 DVDs copiados por medo de ser delatado pela mulher! A não ser que você PAGUE por cada episódiozinho de LOST. Locadoras quase não existem. Pegar um ônibus e ir até uma alugar um filme é mais caro do que comprar o famigerado por 5 paus. Aqui, compramos todos os filmes e séries que queremos acompanhar. O problema é ter espaço depois pra guardar essa tralha toda. No início, ainda tivemos o problema do DVD player que tínhamos comprado não ler os filmes que eu trouxe do Brasil (Nunca tive esse problema no Rio. Meus DVDs liam até Machado de Assis!). Aí, devolvemos o DVD player, a loja devolveu o dinheiro e pedimos outro pela A**z*n.com. Tudo se compra pela Internet. O carinha da DHL tá mais íntimo do que meu Intimus! Toda hora vem o fulano entregar alguma coisa…

Pra tudo aqui você pecisa de seguro. Qual vai ficar cobrindo a casa, qual é a melhor para cobrir o carro, a seguridade pessoal… Sem seguro você não pode ser professor, por exemplo. Então, o professor-to-be tem que contratar uma empresa que cubra seus custos caso algo aconteça com um aluno: advogados, despesas médicas, tudo isso. Impressionante, não? As leis trabalhistas não permitem trabalho aos domingos. Ponto final. A não ser que você trabalhe nos hospitais, na policia, nos bombeiros e na indústria de turismo, você NAO PODE trabalhar no domingo. Você não pode nem aparar a grama com seu „lawn mower“. É proibido fazer barulho de maquinaria no domingo e a vizinhança pode chamar a polícia. Fato: se eu tivesse minha rotina de trabalho do Brasil aqui, eu estaria muito F****, porque domingo era só o que me restava pra cuidar do resto da vida. Mas ninguém aqui trabalha 11 horas por dia de segunda à sábado, então… Nada aqui abre aos domingos. Não tem shopping, não tem restaurante, não tem supermercado, não tem farmácia, só tem espaco na rua. Nas cidades maiores, você ainda acha a galera andando pra lá e pra cá, visitando os museus, os parques, as praças… Depois, pra comer, ou você fica pelos „cafezes“ dos museus e galerias (que são mais caros, óbvio!) ou vai ficar rodando pela rua até achar uma Gasthaus, se achar. Driblar os custos é mais difícil. O sistema é feito para que você consuma e mantenha a roda funcionando, o que faz total sentido no capitalismo. Você não pretende visitar o Deutsch Museum e depois ir comer no Geléia, né? Você vai visitar o museu e depois financiar as lojas deles, claro. Faz sentido. O problema é minha mentalidade saída de onde grande parte da economia é informal, onde todo mundo dá um jeitinho, se acostumar com isso.  

Viver aqui na Baviera é seguro e sem estresse. Não se fica olhando pra trás achando que alguém vai abrir a sua bolsa. Não é preciso saltar do ônibus porque se acha que vai ser assaltado. Não  é preciso botar o coração pra fora da boca toda vez que se pega uma via expressa por medo de algum infeliz comecar um tiroteio a qualquer momento. A palavra assalto levanta muitas sobrancelhas aqui. Quase ninguém sabe o que é isso. Não existe o medo de ir a um caixa eletrônico, de colocar a  câmera fotográfica pra fora da bolsa, de atender o celular na rua. Não existe o medo da violência que a vida de miséria proporciona. Não existe miséria.... Então, as pessoas têm que ser criativas e inventar algo pra ter com o que sofrer. Não existe a satisfação hipócrita de „ajudar o próximo“ com esmolas. Ninguém precisa da sua roupa velha, ninguém precisa do resto do seu pão. Os orfanatos quase não têm órfãos. Muitos casais que não querem filhos, NAO têm filhos. O governo faz campanha pra que as pessoas procriem mais: „Vambora fazê uns filho aê, cambada! A previdência precisa explorar essa força de trabalho!“ Não tem bicho abandonado na rua. Cachorro, por exemplo, tem quase tanto direito quanto gente. Eles entram nas lojas, nos shoppings, nos hotéis, viajam nos ônibus e nos trens. As áreas de floresta são sinalizadas pra que você não atropele as corsas e os lobos que atravessam por lá. Os bichos silvestres que você acha no seu quintal sem hibernar no período de inverno têm que ser levados às estaçoes veterinárias pra que sejam cuidados lá. Senão, quem paga multa se o bicho morrer é você! Ou seja, um ouriço pode ferrar com a sua vida! Taí, já tem um problema pra sofrer, hã!



sábado, novembro 06, 2010

- O Sequestro da Pipoca do Metrô 123

Só na minha família mesmo!

"Cara! Não! Pára tudo!
Eu pretendia escrever apenas no final da semana, manter aí uma rotina de um post grande por semana(...) Mas hoje aconteceu uma parada muito e-s-c-r-o-t-a, e eu tenho que contar.
Minha mãe queria ir ao cinema, ver esse filme d’O Sequestro do Metro 123. Que, aliás, eu recomendo, é excelente! John Travolta e Denzel Washington, para variar, dando show de interpretação, já que a maioria do filme é ao redor de um diálogo problemático entre ambos. Ao invés de levar sua namorada pra ver Bruno, leve para ver este filme. Aliás, faz tempo que eu aprendi que qualquer filme com esses dois, vale a pena ver. Mas enfiiiim
Eu encontrei minha mamy no shopping, compramos os ingressos, marcamos um 10 até dar a hora do filme, comprei minha pipoquinha e minha coca-cola mega-giga-grande-zero de 700 ml e entramos na sala. Até aí, tudo lindo…
Só que! na hora de sentar, eu bati o cotovelo no braço da poltrona, e dei um banho de pipoca na poltrona do lado. Eu já parei e fiquei olhando com aquela cara de bunda zangada – porque não foi uma cara de bunda apenas, eu fiquei com raiva! Porque tipo… Meu ingresso foi R$ 6,00. O da minha mãe também. E A PORRA DO COMBO FOI O MESMO PREÇO DOS DOIS INGRESSOS! Com 12 reais eu compro 5 toneladas de milho pra pipoca e uma coca-cola de 2l!!!!
Daí eu já coloquei a coca-cola lá no porta-copos, e me joguei na poltrona, morrendo de raiva. Daí tentei salvar o resto que sobrou dentro do pacote, só que tipo… Só sobrou uns 20% do que tinha antes, de má-vontade… Reinou aquele silêncio. Eu de birra e a minha mãe bolada porque eu tava de birra. E ela vira e diz: “- Larga de ser teimosa, vai comprar outra pipoca”! E eu disse, séria: – Não vou comprar, eu nem queria mesmo… Joguei de propósito, odeio quando gente estranha senta do meu lado… Dá pra respeitar a minha privacidade??
E aí a gente riu, o clima passou e eu disse pra ela: “Po, tem um morrinho de pipoca que está a salvo do contato com a poltrona, quando apagar tudo, eu vou tentar catar…
E aí, a Lady Murphy, aquela fdp, entra e ação! Chega uma mulher, meio que falando sozinha – com um ar meio amalucado, e senta do outro lado da poltrona pipocada. -_-’ Já fiquei bolada, . Ia ser bem mais difícil resgatar minha pipoca. E ela era meio doida, eu a ouvia falando algumas coisas no meio do filme, e ela tava sozinha… Ou não, né… Quem sou eu, com essa mente limitada, a motorista do busão pro Mundo Novo pra dizer que não tinha mais ninguém??
Po, imagina se alguém vê? Aff, que menina porca, comendo pipoca da poltrona. É praticamente uma hospedeira da gripe suína!” – Mas po, e as pipocas intactas? Com tanta gente passando fome?!
As luzes apagaram, e eu toda hora dando aquelas olhadelas pro lado, pra ver se ela não tava olhando, e poder pegar minhas pipocas. Mas como eu conseguia olhar pra tela e ao mesmo tempo notar que ela estava se mexendo, achei que a recíproca era verdadeira, engoli meu prejuízo amargo com ajuda da coca-cola e do fel na saliva, e comecei a prestar atenção no filme.
Quando o filme está quase terminando, a mulher me cutuca e pergunta:
“- Essa pipoca na poltrona foram vocês que derrubaram?”
Eu ergui a sobrancelha – sorte que estava escuro – e disse que sim. Que tinha batido o cotovelo e acabei derrubando a pipoca. E aí ela, na maior simplicidade, vira e diz:
“- Ah, tá, porque eu tô comendo, tem umas pipocas que não encostaram na poltrona, tão no morrinho, né? hehehe [!!!]
Eu confirmei, já vendo sangue escorrendo na tela do cinema, e disse que ela podia comer tranquila… Aliás, disse por educação, porque ela JÁ tinha comido. Eu que não ia pedir de volta, pra maluca vomitar ali na minha frente.
¬¬
ò_ó Vocês ENTENDERAM O QUE ACONTECEU??
A questão não é só que ela comeu a pipoca. A questão é que ela só “me comunicou” que comeu a pipoca, porque quando a criatura me cutucou, ela já tinha PASSADO O RODO NO MONTINHO. E eu lá, cheia de vergonha de alguém me pegar com a mão NA MINHA pipoca, e ela vai, na maior cara-de-pau e come! Nem pra dizer um pouquinho antes: “Ei, essa pipoca é de vocês? Tem umas que não encostaram na poltrona!” Daí a gente fazia aquela amizade, “yay, vamos todo mundo comer a pipoca do montinho!”. E eu achando que iam achar que eu era porca, mas pelo menos EU sabia da procedência da pipoca! Ela não. E se não fosse minha? E se fosse da última sessão do Senhor dos Anéis, o Retorno do Rei!?
Ser tímido é uma M-E-R-D-A! Raio de defeito dos infernos!!! Sabe o que acontece com tímido? É que todo tímido é egocêntrico! Acha que o mundo todo presta atenção a tudo que ele faz, e que vão lembrar da cara dele pro resto da vida: [19 anos depois] “Olha, não é aquela garota porca que comeu aquele montinho de pipoca naquele n’O Sequestro do Metro 123, no Iguatemi, dia 16/09/2009???”
Eu queria taaaanto ser punk! Sabe… Descer a ladeira! Tipo, se alguém olhasse torto pra mim, catando as MINHAS pipocas do montinho, virar e falar assim: “Aí, quer uma pipoquinha de bunda? Tá salgadinha! HMMM!”
Moral da História: Tem sempre alguém mais escroto que você.
Mas pelo menos eu posso dizer que sou educada. -_-*"

by pcapmipla

- Hallohein?!

Esse post retirei do blog da minha prima.

Bruxas

Bem, todo mundo sabe que as bruxas malvadas foram inventadas pela Igreja Católica lá no auge do seu surto genocida, a Inquisição. Mas vamos avaliar a “figura” de uma bruxa e desmascarar algumas inverdades: geralmente são feias, velhas, usam preto, voam numa vassoura e cozinham feitiços utilizando insetos e outras coisas similares – e maioria tem um gato preto. Ah, e comem crianças…

Fato que foi homem que inventou essa alegoria toda! Um homem bem tosco, que não sabe nada sobre mulheres! E preconceituoso! Olha isso: a mulher é velha, feia e vive sozinha, com um gato – Encalhada. Voa numa vassoura: dona-de-casa! Pra mim não tem nada errado em voar numa vassoura, é o SONHO da minha vida. Ok, eu ainda prefiro teletransporte, mas entre uma vassoura e andar a pé, a Vassoura ganha batida! E ela ainda por cima deve ser burra, porque com tanta coisa pra usar pra voar (tipo sofá, cama, cadeira), ela escolhe uma vassoura! Come crianças: não serve pra casar.
E agora, a prova cabal de que este sacripanta não entende mulheres: os ingredientes das poções e feitiços! Pata de aranha, olho de morcego, rabo de lagartixa, antena de barata… QUE DIABOS!? Nenhuma mulher que se preze sequer chega perto de ingredientes desse tipo! Aliás, só duas chegariam perto disso: Sarah Connor e Cássia Eller! – E elas NÃO existem mais.
Numa versão moderna e feminina, a Bruxa seria uma bióloga feia, mas teria um magnetismo inexplicável, seria bem-sucedida, solteira, independente e… Papa-Anjo.

Vampiros / Morcegos 

Olha, eu não sou tão velha assim, mas desde que eu me entendo por gente, ser vampiro é uma maldição. Eles são cadáveres ambulantes, seres noturnos, predadores. Seduzem os mortais para se alimentar do sangue de suas veias. Viram pó se tocados pelos raios de sol. Transformam-se em morcego, névoa ou cão. Eles temem a fé dos mortais e são criaturas essencialmente malignas, egoístas e fortes… Também temem estacas no coração, água corrente e… alho. 

Estava tudo muito bonitinho, mas… alho? Pra espantar um vampiro, você usaria… alho? ALHO? Que desgraça é essa? Ele vai sugar seu sangue ou te dar um beijo na boca? Sinceramente, eu não entendo… E água corrente? Banho de rio mata, agora? Sem falar na lógica, né? 

OhMeuDeus, UM RIO!

- Psiu, vira Morcego ou Névoa e atravessa? ¬¬’
 
Não é um morcego, é um porco! Só se for. Estaca no coração. QUAL a diferença? Ele já tá morto! Só que agora, não! Ser vampiro tá na moda e é cool! “Não saio no sol porque brilho demais!” – Não é mais vampiro, é uma Barbie! Se apaixonam por mortais, o amor é lindo! São tão sentimentais e românticos. Levanta o dedo aí quem não quer um Angel, um Edward Cullen ou um Bill Compton! Eu não agüento esses vampiros bonzinhos! Eles são melhores que os príncipes encantados! – Agora me diz: vai temer um troço desses!? Piada, né?


Lobisomem

O sétimo filho do sétimo filho. Já dá pra entender porque tá em extinção, né? Com esse aí, então… Nem pisco. Aliás, queria ter um. Sempre quis ter um cão que falasse… Não tem erro, semana de Lua cheia, tranca na casinha, joga um osso e tá tudo certo. Se ele for um menino levado, você chama o Cesar Millan (O “Super Nanny” dos caninos) e ele vai ver o que é bom pra tosse…


Fantasmas (Contém Spoilers)


Ahh… Fantasmas! Fantasmas me irritam profundamente… Vamos pensar no Fantasma tradicional: Uma criatura incorpórea, ectoplasmática, que não fez A Passagem por ter assuntos pendentes na Terra. Pode estar preso a um local, a um objeto, a uma pessoa ou aos seus restos mortais. Entram na categoria fantasma as aparições e os espectros. Também são capazes de possuir brevemente um ser humano, às custas de muito esforço, e sua presença provoca um ligeiro resfriamento no ambiente, uma vez que eles usam o ar quente para manterem suas projeções. Para derrotar um fantasma, basta resolver as pendências dele, se proteger com sal (Aliás, o sal protege contra a maioria das coisas malignas que circulam por aí) ou quebrar o objeto/pessoa ao qual ele está preso.
Beleza. O cara não quis ir embora. Aí você se enfia num círculo de sal… Pausa. Vamos dar uma pausa. Sal. Um ser incorpóreo, que flutua… Não consegue passar por uma linha de sal… Pausa! Não, não… Pausa e pensa!… SAL! Isso não é um fantasma! É uma lesma! Pode ir embora tranquilo! Sem falar que se vierem com essa de “Só vou embora se você resolver meu problema“, já vai tomar um fora: Ah, vá pro Diabo que te carregue! Tu não resolveu e quer que eu resolva? Eu não ganho pra isso não, vai procurar a Love-Hewitt!

Mas o que me tira do sério são os fantasmas modernos! Tudo bem, eu não os culpo por seguir as novas tendências, se adaptarem às novas tecnologias… MAS TUDO TEM UM LIMITE! É um ser incorpóreo! Não tem casa! Não tem dinheiro! Não tem nada! Mal consegue segurar alguma coisa! E agora dão telefonemas, gravam vídeos, posam pra fotos! Pelo amor de Deus!
A Samara mora num poço no meio do naaada, ela mora na roça! Mas ela SABE quando vêem a fita de vídeo dela e SAI PRA TELEFONAR! Porra! Desculpa, vai rolar palavrão! Celular do caralho esse, hein? O meu, se bobear, a dois metros de casa perde o sinal! Qual é a operadora que você usa, amiga?! – Parece bandido na cadeia: Tá preso, mas consegue ligar numa boa!

E isso tudo porque ela queria ter uma mãe, queria que a verdade sobre ela viesse à tona e que alguém a enterrasse pra que ela descansasse em paz. Aí foi quando eu surtei de vez, né! AMIGA! Toda inteirada no mundo da tecnologia e nem pra usar um Google Earth pra marcar o poço onde tu mora e gravar na porra do vídeo cacete (Sim, vídeo cacete!), junto com um depoimento sobre a sua vida sofrida! Você é uma PÉSSIMA cineasta, e nada prática! “Olha, meu nome é Samara, [história da vida], meu poço está aqui [coordenada do Google Earth], se você está vendo esse vídeo, por favor, venha me enterrar! Obrigada“. Mas, nãaaaao! Ela inferniza as pessoas por dois filmes!!! E que história é essa de sair de dentro da TV?? Nem os Jetsons faziam isso! E em qual fio ela veio, se mora naquela roça!??? Olha… Eu fico muito estressada.
E essa mania de cabelo jogado na cara? Vai ter medo de emo agora?!? E essa fixação com água?! O GRITO! Aquele moleque! Sempre tem uma criança afetada nesses filmes. Por isso que eu concordo com a Bruxa, tem que comer todas! E vem a mulher, com o cabelo na cara, posando pra foto, e andando pelo teto – Nem o Homem-Aranha anda com tanta desenvoltura pelo teto! E aquele moleque com aquela merda daquela boca aberta =O Que raiva!

E Bruxa de Blair, o Livro das Sombras? – Você viu o livro? Eu não. Aliás, o primeiro já é ridículo, o segundo é só pra fazer você de trouxa. E como SEMPRE, uma entidade oculta muda – é, a Samara grava, e a Bruxa de Blair edita. Daqui a pouco vão oferecer serviços de filmagem de eventos! “Nós nunca dormimos no ponto! – Satisfação garantida, ou seu dinheiro de volta em 7 dias!” – o conteúdo de uma gravação…
Eu quero saber QUANDO é que vão me explicar esses fantasmas, essas afinidades por tecnologia, como eles aparecem em filmagens, tiram fotos, mandam mensagem no Twitter, fazem blog… Porque, pra mim, fantasma causa, NO MÁXIMO, uma estática! E SÓ!

Eu nem quero mais falar sobre isso, porque tô ficando nervosa! E nem ousem citar um golem desmiolado que responde pela alcunha de Frankstein!
Aí, chega Halloween e as pessoas se fantasiam dessas coisas que “Assustam”. Orra! Assusta pra caraleo! Se esses aí aparecerem na minha frente, eu vou é encher de tapa! Coisa absurda! Botar é um Exu Caveira na frente desse povo pra eles saberem o que é que dá medo! ¬_¬

Humpf… Feliz Dia das Buxas pra vocês.
bjomeliganao - by pcapmipla

28.08.2010 - Museu do Relógio e ADEUS!


Sábado, depois da cegueira, é hora de fazer compras nas lojas chiquérrimas. O problema é levar o Marido junto para ficar com a consciência pesada toda vez que você esbarra num Marc Jacobs ou Valentino: “As pessoas deveriam ter vergonha de comprar essas coisas!” E ele até tem razão.  Num mundo onde a maioria tem nem o que comer, como pode um punhadinho de gente gastar tanto dinheiro num paletó!?! Comprei foi é nadica de nada, muito orgulhosa da minha pobreza.

Dali fomos ao Museu do Relógio. É muito bacana aquilo lá: três mil modelos, que remontam a história desde a Idade Média até os dias atuais, espalhados por três andares. A cada hora redonda, os que ainda funcionam tocam todos juntos numa orquestra bem peculiar. Sem prestar muita atenção, acabei fotografando com “Frésh” e tomei um OMO Dupla Ação do guardinha: “Minha filha, é sem flash!” Ai, que vergonha! Mas depois passa, você muda de andar e não tem que enfrentar as conseqüências. Quais as chances de encontrar o mesmo guardinha, né? Visitado o Museu do Relógio, é hora de dar “tchau” para os lugares comuns, nossos pontos de encontro durante essa semana cansativa (mas maravilhosa!) que tivemos em Viena. Passamos pela Praça dos Judeus, circulamos os monumentos, nos despedimos da Casa de Mozart, das pessoas nas ruas, do clima internacionalmente cultural daquele lugar. TODOS deveriam ter a chance de conhecer Viena.

A noite de sábado incluiria muita arrumação de malas, separação do que fica e do que se leva. No domingo, partimos por volta das 10h da manha com Marido ao volante falando (Na maior parte das vezes, sozinho!) sem parar por seis horas seguidas. Nós resmungávamos um “Hum, hum” e ele nem aí, só falando e falando. Ao chegar perto de casa, os machos-Alfa, Marido e Sogro, começam a disputar quem é que manda no caminho, que rua pegar… o estresse rolando e os gritos também. Acabou que os dois alfas tomaram sopapos da Cunhada e ficaram quietinhos até chegar em casa. Rir ou defender os homens? Que dilema!

quarta-feira, novembro 03, 2010

28.08.2010 - Diálogos no Escuro


Manhã de sábado, já muito mais fria, e a pergunta na cabeça: “Vamos ou não vamos?” Ok, todo mundo vai. Toca geral se arrumar pra estar lá no Schottentor (antigo portal da cidade) às 10h. O engraçado foi que, conforme íamos andando pelas plataformas do metrô, íamos encontrando o resto do clã. No momento em que chegamos à superfície, quase todo mundo já estava andando junto. O plano: passar umas horas dentro do Dialog im Dunkeln, um centro de experimentos em deficiência visual, onde o visitante irá passar por situaçoes e simulaçoes  que recheiam a vida de quem não pode ver. Numa cidade como Viena que, junto com Vancouver, nada mais é do que a cidade com a melhor qualidade de vida do planeta (repito: DO PLANETA), dá pra fazer essas “graças”. Depois de cuidar muito bem da sua população “normal”, eles ainda têm muitos recursos para investir nas necessidades de quem precisa. Fomos avisados dos mecanismos de segurança: quem sentir tonteira, enjôo ou qualquer outro distúrbio por causa da ausência de luz, avise ao guia IMEDIATAMENTE. Tá pensando que não enxergar é mole? Tá pensando que é só balançar aquela bengalinha?

Antes de entrar na câmara, recebemos uma mini-aula sobre como usar a bengala. A instrutora fala sobre as dimensoes e sobre como você deve “perceber” o raio a sua volta. Deparou com qualquer obstáculo, pare imediatamente. Bengala na mão direita, sempre balançando à sua frente, e mão esquerda para sentir (quando der) as paredes e obstáculos na altura da cabeça. As pessoas são separadas em grupos de seis e o guia controla a formação da fila sempre chamando o nome do primeiro e do último. O primeiro era o Cunhado. O último, o Marido. Eu e Cunhada no meio com mais dois primos. Eu, ferrada duas vezes: cegueira e um guia austríaco com sotaque carregadérrimo! Então, era um tal de “Marido, é você?” “Marido, não sai de trás de mim!” “Marido, o que ele disse mesmo?” “Marido, é direita ou esquerda, caramba?” Todos treinados, enfileirados e com todos e quaisquer objetos que reluzem no escuro fora de circulação, lá fomos nós… direto para a escuridão!

A opção de manter os olhos abertos ou fechados é sua. Você faz o que achar mais er… hummm… “confortável”. Mas estar ali trouxe à tona todo o nosso lado animal. Aí a gente vê como depende dos sentidos e não é à toa que temos cinco. Basta você estar privado de um dos seus sentidos, os outros trabalham feito loucos pra compensar. Estar na escuridão dá calafrios, sudorese, aumenta o batimento cardíaco e dá, sim, um desnorteio por não saber mais o que é lado, em cima ou embaixo… No início era difícil até respirar, depois você vai se “acostumando”. Mas a gente não tava ali só pra ficar sem ver nada. Eles têm esse mundo subterrâneo onde pode-se de tudo, menos usar os olhos. Começamos por um parque. De longe você já escuta a cachoeira e sente o “cheiro” da água. Você tem bancos pra sentar, plantas e flores pra tocar e cheirar, a água pra apreciar… Você escuta os pássaros (Esses são apenas alto-falantes, claro, porque pássaro não canta no escuro, né!), anda pelas pontes (As partes mais difícies são as pontes suspensas, que balançam à beça.), tem comprinha no shopping sentindo muito os produtos e levando ao balcão, tem trânsito na cidade grande (com direito a prestar atencão ao sinal sonoro que vai te dizer se está verde pra você ou não e muita trombada nos carros pra quem não prestou),  tem passeio de barco com ventinho na cara e muito balanço, tem visitação aos mercados de rua numa viagem à Africa, tem bar com barman, nosso ajudante no escuro, que conversou com a gente sobre os anos trabalhados ali (Ele diz que as pessoas sempre perguntam pra ele o que é a escuridão e que ele sempre responde que não tem a menor idéia porque nunca conheceu outro mundo.) e que serviu as bebidas pelas quais pagamos no escuro e, se não fosse por ele, não teríamos a menor idéia de qual moeda ou nota estávamos segurando pra pagar a conta… Uma das primas desistiu depois de uns minutos e foi retirada dali pela saída de emergência. Nosso grupo ficou até o final e já estávamos nos divertindo com as tropeçadas, as bengaladas que levámos uns dos outros, as trombadas nas costas de quem estava na frente… Depois que minha amiga viajou para a Bahia num cruzeiro que ela apelidou carinhosamente de Putanic, eu me sentia quase igual no meio de tantas apalpadas. “Mari, é você?” FOM! “Cunhada, é você aqui na frente?” FOM-FOM Todos acharam melhor manter entre nós o segredo de quem apalpou quem. Que ninguém soubesse os nomes, que nunca mais tocássemos, FOM!, no assunto… pra não ter que conviver com os fantasmas das conseqüências. Tirando a vergonha desse detalhe, digo que foi uma das experiências mais marcantes que já tive na vida. Acho, no ápice do meu “achismo”,  que toda instituição que prega a integração de quem tem necessidades especiais, deveria ter lugares como o Dialog im Dunkeln. Não só pra quem não pode ver, pra quem não pode escutar, falar, andar… (qualquer infinitivo serve), também. Aí, sim, teríamos, além de muita teoria, um pouco de prática que ajudasse a entender e sentir “na pele” aquilo que nem imaginamos por simplesmente podermos fazer de tudo sem questionar nada. Depois do Dialog im Dunkeln, eu gosto ainda mais das formas e das cores!

27.08.2010 - Noite com Bávaros, muita cerveja e muito Jodeln


A grande noite.  Em alguns minutos seria eu apresentada ao restante do clã. Já era um feito enorme vir do Brasil, onde morávamos só eu e Marido, e, de repente, ter mais seis pessoas na família. Agora era a extensão da extensão: Bávaros de verdade com muito sotaque e direito a Lederhose e muito Jodeln. Eu fiquei no centro das atençoes por um bom tempo. Todo mundo queria saber quem era o tipo exótico que veio juntar-se à família. Ninguém conseguia pronunciar o meu nome, mas quem liga? Piadas a parte, meu maior desafio da noite era desvendar o assunto da conversa. Primeiro porque o sotaque é f… Daí, porque, depois das mil cervejas engolidas, o sotaque fica pior. Juntam-se as piadinhas e as gargalhadas e lá estava eu no meio de um literal BláBláBlá. Melhor: um ArschArschArsch. Tode aquele imaginário que temos dos homens bávaros tomando cerveja abraçados em roda e cantando seus Jodelns era… VERDADE! Eles cantam alto, mas muiiiiiito alto, e gargalham mais alto ainda. Eu ficava naquela “Enfio minha cabeça onde?” mas vi que era normal, que a Gasthaus inteira fazia a mesma coisa. Segurei minha onda… sorrindo muito.

Vergonhas alheias depois, devo admitir que tive a melhor refeição desde que cheguei por essas terras. A comida era ótima, as porçoes enormes… Dava pra umas três pessoas comerem o que eu tinha no prato. Mas, fato: aqui não se divide o prato com ninguém. Cada um pede o seu. Se sobrar, você joga fora. Eu, do alto de toda uma história de fome e miséria, odeio jogar comida fora. Mas agüentei o máximo que pude e cheguei à metade do prato. Tinha nem um cachorrinho abandonado pela rua pra eu dar minha comida. Lugar estranho, onde ninguém precisa de nada! Para minha total surpresa, a prima-anfitriã quis pagar a conta de todos. Choquei!

Passamos a noite conversando, principalmente, com a anfitriã da situação. Ela é, como se diz?, “deficiente visual”, e casada com outro deficiente visual. Outro convidado também era deficiente visual e conversamos bastante sobre como é viver no mundo deles. Viver na cidade grande atravessando na faixa de pedestres, pegando transporte público… contar dinheiro, arrumar a casa, cortar o cabelo, saber qual roupa usar… É tanto detalhe que a gente nem imagina! Já que o papo descambou pra essa área, ela nos fez um convite. Que pensámos bem a respeito até a manhã seguinte. Quem tivesse interessado, que comparecesse em frente ao Schottentor, às 10h da madrugada.

27.08.2010 - Um dia no Schönbrunn


E aí chegou a sexta-feira! A verdadeira razão de ir a Viena era essa: minha Sogra e seus primos se encontram uma vez por ano numa espécie de Festa dos Primos. Esse ano escolheram Viena porque uma das primas está morando por lá. A idéia era encontrar o povo às 18h, então qualquer coisa que ainda quiséssemos fazer teria que ser bem cedo. Depois do café partimos eu e Marido para o Complexo Schönbrunn. O bicho é enorme e a visitação inclui pacotes que variam de 40 minutos a 2 dias. Lá estão o Palácio Schönbrunn (casinha de veraneio dos Habsburgo), jardins, observatório, labirinto, o Museu da Crianca Imperial (!), o Museu de Carruagens, a Experiência do Deserto, a Casa das Palmeiras e o zoológico mais antigo do mundo. Começamos pelo zoológico porque a intenção era ver os pandas gigantes.

Antes de eu assitir a penca de programas sobre zoológicos aqui na TV alemã, eu não tinha a menor idéia de que nenhum zôo pudesse “possuir” um panda. Eles são concedidos pelo governo chinês num empréstimo de 10 anos e, após esse período, reavaliam se os pandas voltam pra China ou se renovam o contrato. A gente tava que nem criança, só falando de panda já há uns dois dias. No momento que atravessamos o portão do Schönbrunn, nos jogamos pra área dos bichoes. Para nosso total desespero, por causa do novo bebê panda, os ursos panda (que nem são ursos) estavam afastados da visitação. O quêêêêê? Fiquei über boladaaaaa! Mas, já que estávamos lá, que explorássemos o zôo.

Passeamos por vários “habitats” dum zoológico que é mega enorme. Encontramos uma Floresta Amazônica mantida dentro de uma estufa gigantesca, NAO, mas G-I-G-A-N-T-E-S-C-A! Olha que engraçado. Atravessei o Atlântico pra vir visitar a “Amazônia” na Áustria. Eles têm pontes, rampas, passagens, até elevador a floresta tem! Várias espécies de plantas e animais são mantidas lá (Vá saber como elas chegaram.) Também tem cavernas, e ficamos no maior impasse se entrávamos ou não até que uma mulherzinha abriu uma das cortinas e uns morceguitos sairam de lá e todo mundo danou a gritar que nem umas bibas. Depois de refletir sobre o assunto por uns… dois segundos, resolvemos entrar na primeira caverna. Freak show: centenas de morcegos voavam em ângulos que até a física desconhece! Tudo era roxo, fruto da luz negra que colocam lá para dar aos visitantes a chance de “ver” alguma coisa sem matar os morcegos de fotofobia. Mas o que mais me chocou foi o cheiro. Era um cheiro indescritível, um cheiro de outra dimensão, tem nem com o que comparar. Eu só gritava e gritava com aqueles morcegos voando em volta da gente, por cima das nossas cabeças, e aquele cheiro horrendo alimentando meus pensamentos mais fúnebres. Não quis mais saber de caverna nenhuma e já me sentia a galera do South Park: “Morra, floresta tropical!” Voltei pra fotografar os outros bichos, Marido se apaixonou pelo bebê elefante (Depois de mim, por que não?) e na saída da área dos elefantes achamos uma máquina de cunhar moedas de dois centavos. Você poe a moedinha lá e escolhe o emblema do zoológico que mais te agrada e depois roda e roda a manivela (Sem piadinhas, por favor!) até ela escapulir pelo buraquito. Eu escolhi o Panda, claro!, e Marido, os elefantes. Mais uma vez, não só parecíamos duas crianças descobrindo a pólvora, mas também tirávamos a chance de qualquer outra crianca se aproximar da máquina. Marido foi trocar uma moeda de 1 Euro em moedas de 2 centavos pra gente fazer mais dinheirinho de zôo. Ele diz que é muito barato me fazer feliz!

Já tínhamos, muito frustradamente, desistido dos pandas quando avistamos mó galerão, câmeras, microfones e repórteres inclusive, aglomerado no canto. De repente a horda veio trotando em nossa direção e, num flash, pensamos que só podia ser por causa do novo pandinha. Danamos a correr na mesma direção e lá estava ele: papai panda Long Hui. Ele bebia serenamente sua aguinha do riacho quando aquele bando se aproximou do vidro e ele levantou a cabeca como quem dissesse “WTF” e depois saiu de fininho pra dentro do mato. Fotos batidas e muita histeria depois, nos sentíamos realizados na nossa missão. Deixamos o zôo e andamos por entre as alamedas até chegar na região do palácio.

Tentamos subir até o Gloriette, mas o caminho em zigue-zague fazia a distância triplicar. A outra opção era tentar o declive, ainda muito mais íngrime, do lado direito que contornava o labirinto. Ainda não recuperados da andança do dia anterior, eu já sentia uma febre muscular tomar conta do meu corpo e já sabia que essa viagem ia me levar à doenca. Bem, chegamos lá no topo do Gloriette e vimos o céu preto prontinho pra desabar nas nossas cabeças. Saímos de lá já embaixo de ventania com direito a muito cabelo na boca e terra no olho. Apalpando os caminhos, achamos o ponto de ônibus depois de já discutir com o Marido que a melhor opção seria pegar o mesmo bonde com o qual tínhamos chegado lá. Mas o maldito não me escuta! Pegamos o cacete do ônibus, já bebendo água em pé naquela chuva, pra saltar dois pontos depois porque o mané finalmente percebeu que só o bonde ia nos deixar no centro, conforme EU tinha falado. Ai, Jesus! Me afasta do divórcio!

Brasil x Alemanha: os blá blá blás do 7 x 1

Bem, resolvi postar no blog porque aí lê quem quiser e eu não fico flodando a timeline de ninguém. Desde a catastrófica derrota do Br...