sexta-feira, janeiro 14, 2011

- Na ponta da língua

Eu prometi que não faria nada, nem respirava, até esse cacete desse período de provas passar. Porém, como a insanidade já bate à porta, resolvi que valeria um pouco à pena desabafar a frustração. Não (papinho litotes), o que estavam pensando quando resolveram achar que alemão é língua? Meu, se não fosse eu achar a sonoridade da língua muito linda (tô brincando não… adoro ouvir o som daquele latido rouco), eu já tinha desistido. A bicha não só tem mais artigos do que todas as constituições do Brasil juntas, mas que meleca é essa também de ficar fazendo Komposita com os adjuntos adnominais e complementos? Palhaçada, já! Quem consegue sequer ler uma palavra como ‚Geschwindigkeitsbeschränkung’? Daí a explicar pro guarda na Autobahn que você não sabia do ‚limite de velocidade’ na via, tu já foi arrastado pra Dachau! Deus abençôe a língua inglesa que conseguiu transformar todos aqueles ‚der, die, das, den, dem, des’ em um simples THE. Sem falar que, pô, com três formas verbais e um punhadinho de verbos auxiliares, TUDO se conjuga em inglês. Amém, Senhor, Amém!

Mas, venhamos e convenhamos, outras línguas também têm suas mazelas (o que não passa nem perto de maionese Mazola, hein!). Vâmo-las!

Português: Quem aí, não, mas quem aí usa mesóclise (ou qualquer outra colocação pronominal correta sem bancar o pedante)? Se eu soubesse que maluco tava por aí forçando uma barra dessas, eu mandá-lo-ia para a PQP! Imagina ler aquelas piadinhas de paralamas de caminhão (já boladona de ficar trancada num ônibus Bangu-Central, presa num  engarrafamento da Av. Brasil): “Bebo porque é líquido. Se fosse sólido, comê-lo-ia.” Ah, vá...!

Francês: Tipo... Acho liiindo! Já tentei aprender umas 9 vezes. Mas o que são 147 acentos, 3 hífens e 4 apóstrofos numa mesma palavra? Se eu pudesse, eu ainda apelava pras escolas que ensinam francês fazerem uma parceria com a indústria cosmética: ‘Um semestre estudando francês e você ganha 10 sessões de Botox para a região dos lábios!’ Porque, gente, batom rachando nos cantos ba boca depois de tanto bico ninguém merece, né!

Espanhol: Na minha turma tem uma espanhola, de Madri. Pra começar, a menina nem abre a boca pra falar. Com os lábios, assim, semicerrados, ela consegue mandar vários pri pri pri e lha lha lha tão rápido, mas TÃO RÁPIDO, que não perde pras automáticas mais cativas do povo Carioca. Eu já desisti depois de dois semestres tentando falar espanhol. Só o que saía era uma coisa Cervanto-Dantesca. Minha pronúncia tá há tempos contaminada pela enxurrada de novelas tipo ‘Terra Nostra’ e ‘Esperança’. Não sei como, mas toda vez que falo ‘Yo me llamo...’ soa como um napolitano.  Então, prefiro o sorvete!

Italiano: Depois que meu amigo Odísseo contou a piadinha sobre dois italianos que não sabiam nadar e caíram num poço mas conseguiram se salvar ‘Parlando! Parlando!’, já bateu o dilema. Quando se fala italiano, no fim das contas, ou você ganha um muque ou uma baita tendinite!

Russo: Chique que só! Fico toda assim quando escuto meus coleguinhas tagarelando em russo com minha professora. Agora, também penso em como é que conseguem se preparar fisicamente para falar. Parece musculação. Tudo se contrai! Não consigo me ver falando russo sem ficar com cãimbra nos glúteos.

Húngaro: Como assim R tem som de vogal? Ah, vá...!

Japonês: Até falo a favor. É uma língua simples: verbo sempre no final da frase, é só usar um ka no final e a gente já sabe que é uma pergunta, não existem desinências nos verbos... mas existem desinências nos adjetivos! Como assim!?! Japonês já lê de trás pra frente e agora quer conjugar adjetivo? Isso aí. A desinência modo-temporal está dentro do adjetivo e não do verbo. Sem muito drama, até. Depois o problema é memorizar os 1850 kanjis e as 3 pronúncias diferentes para cada um (a japonesa e a chinesa, tá) usando aqueles exercícios mnemônicos que, às vezes, mais atrapalham do que ajudam.

Chinês: Não confio nem um pouco. Como assim o significado da palavra muda por causa da entonação? Então se eu disser ‘Shishum!’ é ‘Você está lindo hoje!’ e ‘Shishum?’ é ‘Você é um baita FDP!’ ? Peralá! Aliás, tenho a mínima idéia do que ‘Shishum significa.

Então, entre o amor e o ódio pelo alemão (a língua, não o Marido!), eu sigo na esperança de um dia, depois de, assim, uns 19 anos, chegar à proficiência! Me desejem sorte (ou seria ‘Desejem-me’?)!

3 comentários:

Harveditina disse...

Adorei o lance do ódio pelo alemão, ficou engraçado... xD

Juliana Ramos disse...

Mari-Anna, vc me surpreende a cada dia mais. Que coisas essas que vc escreveu! Nossa, acho que vc deveria ser colunista, sei lá, escrever crônicas ou coisas do tipo. Putz! Que mente, meu Deus! Essa menina é mt, mas mt porreta. Te ador a cada dia mais. Mil bjs

Cristina R. disse...

ai ai theater só vc sempre com o humor negro aflorado.. saudações do nosso Brasil direto do RJ que continua lindoooooooo hhaha

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