Eu prometi que não faria nada, nem respirava, até esse cacete desse período de provas passar. Porém, como a insanidade já bate à porta, resolvi que valeria um pouco à pena desabafar a frustração. Não (papinho litotes), o que estavam pensando quando resolveram achar que alemão é língua? Meu, se não fosse eu achar a sonoridade da língua muito linda (tô brincando não… adoro ouvir o som daquele latido rouco), eu já tinha desistido. A bicha não só tem mais artigos do que todas as constituições do Brasil juntas, mas que meleca é essa também de ficar fazendo Komposita com os adjuntos adnominais e complementos? Palhaçada, já! Quem consegue sequer ler uma palavra como ‚Geschwindigkeitsbeschränkung’? Daí a explicar pro guarda na Autobahn que você não sabia do ‚limite de velocidade’ na via, tu já foi arrastado pra Dachau! Deus abençôe a língua inglesa que conseguiu transformar todos aqueles ‚der, die, das, den, dem, des’ em um simples THE. Sem falar que, pô, com três formas verbais e um punhadinho de verbos auxiliares, TUDO se conjuga em inglês. Amém, Senhor, Amém!
Mas, venhamos e convenhamos, outras línguas também têm suas mazelas (o que não passa nem perto de maionese Mazola, hein!). Vâmo-las!
Português: Quem aí, não, mas quem aí usa mesóclise (ou qualquer outra colocação pronominal correta sem bancar o pedante)? Se eu soubesse que maluco tava por aí forçando uma barra dessas, eu mandá-lo-ia para a PQP! Imagina ler aquelas piadinhas de paralamas de caminhão (já boladona de ficar trancada num ônibus Bangu-Central, presa num engarrafamento da Av. Brasil): “Bebo porque é líquido. Se fosse sólido, comê-lo-ia.” Ah, vá...!
Francês: Tipo... Acho liiindo! Já tentei aprender umas 9 vezes. Mas o que são 147 acentos, 3 hífens e 4 apóstrofos numa mesma palavra? Se eu pudesse, eu ainda apelava pras escolas que ensinam francês fazerem uma parceria com a indústria cosmética: ‘Um semestre estudando francês e você ganha 10 sessões de Botox para a região dos lábios!’ Porque, gente, batom rachando nos cantos ba boca depois de tanto bico ninguém merece, né!
Espanhol: Na minha turma tem uma espanhola, de Madri. Pra começar, a menina nem abre a boca pra falar. Com os lábios, assim, semicerrados, ela consegue mandar vários pri pri pri e lha lha lha tão rápido, mas TÃO RÁPIDO, que não perde pras automáticas mais cativas do povo Carioca. Eu já desisti depois de dois semestres tentando falar espanhol. Só o que saía era uma coisa Cervanto-Dantesca. Minha pronúncia tá há tempos contaminada pela enxurrada de novelas tipo ‘Terra Nostra’ e ‘Esperança’. Não sei como, mas toda vez que falo ‘Yo me llamo...’ soa como um napolitano. Então, prefiro o sorvete!
Italiano: Depois que meu amigo Odísseo contou a piadinha sobre dois italianos que não sabiam nadar e caíram num poço mas conseguiram se salvar ‘Parlando! Parlando!’, já bateu o dilema. Quando se fala italiano, no fim das contas, ou você ganha um muque ou uma baita tendinite!
Russo: Chique que só! Fico toda assim quando escuto meus coleguinhas tagarelando em russo com minha professora. Agora, também penso em como é que conseguem se preparar fisicamente para falar. Parece musculação. Tudo se contrai! Não consigo me ver falando russo sem ficar com cãimbra nos glúteos.
Húngaro: Como assim R tem som de vogal? Ah, vá...!
Japonês: Até falo a favor. É uma língua simples: verbo sempre no final da frase, é só usar um ka no final e a gente já sabe que é uma pergunta, não existem desinências nos verbos... mas existem desinências nos adjetivos! Como assim!?! Japonês já lê de trás pra frente e agora quer conjugar adjetivo? Isso aí. A desinência modo-temporal está dentro do adjetivo e não do verbo. Sem muito drama, até. Depois o problema é memorizar os 1850 kanjis e as 3 pronúncias diferentes para cada um (a japonesa e a chinesa, tá) usando aqueles exercícios mnemônicos que, às vezes, mais atrapalham do que ajudam.
Chinês: Não confio nem um pouco. Como assim o significado da palavra muda por causa da entonação? Então se eu disser ‘Shishum!’ é ‘Você está lindo hoje!’ e ‘Shishum?’ é ‘Você é um baita FDP!’ ? Peralá! Aliás, tenho a mínima idéia do que ‘Shishum’ significa.
Então, entre o amor e o ódio pelo alemão (a língua, não o Marido!), eu sigo na esperança de um dia, depois de, assim, uns 19 anos, chegar à proficiência! Me desejem sorte (ou seria ‘Desejem-me’?)!
